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Senado adia votação do programa Mover após retirada de taxação em compras internacionais

Adiamento foi solicitado por Jaques Wagner, líder do governo no Senado; decisão do relator Rodrigo Cunha de excluir do texto a ‘taxa das blusinhas’ irritou Arthur Lira, presidente da Câmara

Senado adia votação do programa Mover após retirada de taxação em compras internacionais
Senado adia votação do programa Mover após retirada de taxação em compras internacionais (Foto: Reprodução)

O plenário do Senado adiou a votação do projeto de lei que cria o programa Mover, após o relator Rodrigo Cunha (Podemos-AL) retirar a taxação de 20% em compras internacionais de até US$ 50. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, será votada nesta quarta-feira (5). O adiamento foi solicitado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), devido a “ruídos de comunicação” sobre as alterações no projeto. Parlamentares como Eduardo Braga (MDB-AM) e Rogério Marinho (PL-RN) apoiaram a decisão de adiar a votação para analisar melhor o texto e, ao menos no caso do primeiro, buscar convergência com o governo. A retirada dos chamados “jabutis”, trechos sem relação com o projeto, é um dos pontos que serão discutidos.


É considerado um “jabuti” a taxação das compras de até US$ 50 em sites internacionais como Shein e AliExpress, incluída no projeto que trata do incentivo à produção de veículos sustentáveis durante sua tramitação na Câmara dos Deputados. A inclusão atendeu a demandas de varejistas nacionais que alegam que a isenção prejudica o mercado interno. Rodrigo Cunha retirou a chamada “taxa das blusinhas” do texto, argumentando que o tema “não guarda relação” com o Mover e que a tributação vai na contramão dos regimes existentes em outros países. Isso gerou descontentamento no presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que criticou o adiamento e defendeu o cumprimento de acordos políticos.

Além da taxação de compras internacionais, outros “jabutis” foram retirados do projeto, como a política de conteúdo local para o petróleo e um regime fiscal para a produção nacional de bicicletas. A retirada destes trechos deverá levar o projeto de volta à Câmara, atrasando ainda mais a aprovação do Mover, que visa a descarbonização do setor automotivo. O programa foi criado como uma medida provisória para substituir o Rota 2030, incentivando uma frota automotiva menos poluente. Caso o Senado mantenha a retirada dos “jabutis”, a Câmara poderá reincluí-los. Além disso, o governo pode vetar trechos específicos, especialmente a política de conteúdo local para o petróleo.


Publicada por Felipe Cerqueira


  • Por da Redação
  •  
  • 04/06/2024 19h02