Incerteza eleitoral na França pode fazer com que haja bloqueio institucional, divisão de poder e renúncia de Macron
Franceses vão às urnas neste domingo (29) no primeiro turno das eleições legislativas; extrema direita aparece à frente nas pesquisas
Neste domingo (29), acontece na França, eleições legislativas em meio a incerteza de como pode ser o próximo governo, já que pesquisas apontam a extrema direita à frente e com forte chances de chegar o poder pela primeira vez desde a libertação da França da ocupação da Alemanha nazista em 1945. Às vésperas do primeiro turno, em 30 de junho, uma grande pesquisa da Ipsos, publicada na quinta-feira, projeta uma vitória para o RN e seus aliados com 36% dos votos, seguido pela coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP, 29% ) e o partido no poder (19,5%). O resultado após o segundo turno, em 7 de julho, é, no entanto, incerto devido ao próprio sistema eleitoral: os 577 deputados são eleitos em círculos eleitorais não nominais, com sistema majoritário em dois turnos. Macron, cujo mandato termina em 2027, antecipou as votações em 9 de junho após a vitória de Bardella nas eleições europeias e agora corre o risco de compartilhar o poder com um governo de tendência política diferente, a menos de um mês do início Jogos Olímpicos em Paris. Essa votação fora de época acontece após presidente francês, Emmanuel Macron, fazer uma “aposta arriscada”, a qual os resultados podem desencadear em: bloqueio institucional, compartilhamento de poder com um governo de outra ideologia política ou até mesmo à sua renúncia.

Bloqueio institucional

O mandato do presidente francês termina em 2027, por isso em caso de vitória de um partido ou aliança opositora com maioria absoluta, faria com que Macron tivesse que compartilhar o poder com um governo de outra ideologia política. Desde 1958, dois presidentes tiveram “coabitações” durante parte de seus mandatos: o socialista François Mitterrand (1981-1995) com dois governos conservadores e o conservador Jaques Chirac (1995-2007) com um socialista. Os analistas não descartam uma eventual maioria absoluta do RN, que abriria a porta para uma coabitação entre Macron e o jovem líder ultradireitista, Jordan Bardella, de 28 anos.
Renúncia
Em caso de novo revés para a aliança de Macron, após o das europeias, o RN poderia recrudescer seus pedidos pela renúncia do presidente. A líder da formação ultradireitista, Marine Le Pen, já reiterou, nos últimos dias, que seria a única solução “para poder sair de uma crise política”. “Esse presidente da República, se tem medo do caos, por que não renuncia?”, se perguntou a eurodeputada esquerdista Manon Aubry. Em uma carta aos franceses publicada na imprensa regional, Macron, cuja popularidade caiu ainda mais com a antecipação das eleições, prometeu ficar no poder “até maio de 2027”.
*Com informações da AFP
