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EUA investigam contrato bilionário dos caças Gripen após governo Lula barrar empresa israelense

Decisão de investigar acordo firmado com a Saab em 2014 ocorre após perseguição ideológica de Lula contra empresa israelense que ganhou licitação para fornecer blindados ao Brasil.

EUA investigam contrato bilionário dos caças Gripen após governo Lula barrar empresa israelense
EUA investigam contrato bilionário dos caças Gripen após governo Lula barrar empresa israelense (Foto: Reprodução)

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) notificou nesta semana a Saab North America, subsidiária americana da fabricante sueca de equipamentos de defesa, exigindo informações sobre o contrato de aquisição dos caças Gripen NG, assinado em 2014 pelo governo Dilma Rousseff. O acordo, que envolveu a compra de 36 aeronaves de combate pelo valor de US$ 4,5 bilhões, passou por investigação prévia no Brasil, mas foi arquivado sem a identificação de irregularidades, conforme afirmou a Saab em comunicado.




A empresa garantiu que vai cooperar com as autoridades americanas, destacando que “nenhuma irregularidade foi apontada” durante as investigações conduzidas no Brasil e na Suécia. A notificação do DoJ ocorre em um contexto delicado: a recente recusa do governo Lula em licitar para a empresa israelense Elbit, vencedora de uma concorrência para fornecer 36 viaturas blindadas para o Exército Brasileiro, acendeu discussões sobre o teor ideológico da decisão. O próprio ministro da Defesa, José Múcio, admitiu publicamente a motivação política na medida.


“Na licitação, venceram os judeus, o povo de Israel. Mas por questões da guerra, do Hamas e de grupos políticos, não estamos com essa licitação pronta, e por questões ideológicas, não podemos aprová-la”, afirmou Múcio em uma declaração polêmica. Ele acrescentou que o Tribunal de Contas da União (TCU) barrou a atribuição do contrato à segunda colocada, o que mantém a licitação indefinida.


As alegações de interferência ideológica nas decisões de defesa geram questionamentos. A restrição à Elbit ocorre em um momento em que o próprio governo Biden busca manter um delicado equilíbrio diplomático com Israel. No entanto, as implicações vão além das relações exteriores: a decisão lança um novo olhar sobre as negociações da Saab, em um caso que já envolveu o ex-presidente Lula. Em 2016, ele e seu filho, Luís Claudio, foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de tráfico de influência no programa FX-2, um processo que facilitou a escolha da Saab como fornecedora dos caças brasileiros. Segundo os documentos, Lula teria recebido R$ 2,5 milhões em propina, mas o processo foi arquivado pelo então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que agora comanda o Ministério da Justiça.


Essa nova investigação ocorre num momento em que a Saab busca se consolidar como parceira de longo prazo das Forças Armadas do Brasil, promovendo inclusive a transferência de tecnologia para a Embraer. O contrato de aquisição dos caças Gripen E/F faz parte de uma estratégia mais ampla, que visa garantir a autonomia do Brasil no desenvolvimento e manutenção de suas capacidades de defesa aérea.


Com sede na Suécia, a Saab mantém operações globais e é conhecida por sua inovação tecnológica na defesa, empregando mais de 22 mil profissionais em diferentes setores, como aeronáutica, sistemas de armas, submarinos e sensores de monitoramento.Terça Livre



out 11, 2024