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Lufthansa é multada em US$ 4 milhões por discriminação contra passageiros judeus

Departamento de Transportes dos EUA impõe a maior multa já aplicada contra uma companhia aérea por violações dos direitos civis.

Lufthansa é multada em US$ 4 milhões por discriminação contra passageiros judeus
Lufthansa é multada em US$ 4 milhões por discriminação contra passageiros judeus (Foto: Reprodução)

A companhia aérea Lufthansa se vê envolvida em um caso deplorável que resultou em uma multa histórica de US$ 4 milhões, equivalente a R$ 22 milhões, devido a um caso público de discriminação contra passageiros judeus.
O caso, que chamou a atenção da comunidade judaica, ocorreu em 3 de maio de 2022, quando 128 passageiros, a maioria usando trajes tradicionais judaicos ortodoxos, foram impedidos de embarcar em um voo internacional de Frankfurt, na Alemanha, para Budapeste, na Hungria.




O Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DoT) revelou que a proibição de embarque se deu em razão de um suposto mau comportamento de alguns membros do grupo, que alegadamente desrespeitaram as orientações da tripulação. No entanto, uma investigação revelou que os passageiros não se conheciam e não viajavam juntos, o que levanta questões sérias sobre a natureza discriminatória da acção da companhia aérea.


“Ninguém deve sofrer discriminação ao viajar, e a ação de hoje envia uma mensagem clara à indústria aérea de que estamos preparados para investigar e agir sempre que os direitos civis dos passageiros forem violados”, afirmou Pete Buttigieg, secretário de Transportes dos EUA. Esta foi a maior punição já imposta pelo DoT a uma companhia aérea por clara evidência em desrespeitar os direitos civis, destacando a gravidade da situação.


Na época, o caso não passou batido pela comunidade judaica e por instituições que combatem incidentes envolvendo o antissemitismo. Deborah Lipstadt, enviada especial dos EUA para monitorar e combater o antissemitismo, expressou sua indignação ao dizer: “Quando ouvi o caso pela primeira vez, eu disse: 'Oh, isso deve estar errado'. E então, é claro, acabou sendo precisamente certo — foi pior do que pensávamos.”


Além da multa, a Lufthansa já havia se comprometido a pagar US$ 20.000 a cada um dos afetados e a reembolsar mais US$ 1.000 para cada um dos 128 passageiros que foram impedidos de entrar no avião em novembro de 2022.


Em resposta ao incidente, a companhia também firmou um memorando de acordo com o Comitê Judaico Americano, comprometendo-se a adotar a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e treinar seus funcionários para identificar e responder ao antissemitismo. O CEO da Lufthansa, Jens Ritter, anunciou que a empresa planejava contratar um alto executivo focado na prevenção da discriminação e do antissemitismo.


Recentemente, o DoT recebeu mais de quarenta denúncias relacionadas à discriminação contra passageiros judeus que viajavam de Nova York para Budapeste, com conexão em Frankfurt. A partir de um relatório que investigou essas queixas, o DoT concluiu que a Lufthansa havia agido de forma condicional ao tratar os 128 passageiros como um único grupo, sem considerar suas individualidades e punir somente os responsáveis.Terça Livre



out 16, 2024