Por que os Estados Unidos acusam a China de contribuir para o tráfico de fentanil?
Opioide é responsável por uma grave crise sanitária nos EUA e autoridades americanas afirmam que droga provocou mais de 70.000 mortes por overdose no país
03/02/2025 11:53
Ao adicionar altas taxas alfandegárias a produtos do Canadá, México e China, o presidente americano Donald Trump afirmou que quer obrigá-los a agir para reduzir o tráfico de fentanil, um opioide responsável por uma grave crise sanitária nos Estados Unidos. A China, cujos produtos terão uma taxa suplementar de 10%, é acusada de passividade frente ao tráfico dos componentes do fentanil, droga que, segundo autoridades americanas, provocou mais de 70.000 mortes por overdose nos Estados Unidos.

O que é o fentanil?
Fentanil é um ópio sintético 50 vezes mais potente que a heroína e muito mais fácil e barato de produzir. É a principal causa de morte entre americanos de 18 a 45 anos. O departamento de controle de drogas dos EUA (DEA, Drug Enforcement Administration) diz que a China é “a maior fonte de produtos químicos relacionados ao fentanil contrabandeados para os Estados Unidos”.Em 2019, a China reforçou os controles, reduzindo o tráfego direto para os Estados Unidos. Porém, segundo o serviço de investigação do Congresso dos EUA, os componentes químicos são enviados para o México, onde são transformados em fentanil e levados para os Estados Unidos. As substâncias químicas do fentanil são, em sua maioria, legais na China, onde são usadas como analgésicos. A China diz que não há “tráfico ilegal de fentanil” de seu território para o México e promete fortalecer os controles.
Quais medidas os Estados Unidos tomaram?
O governo de Joe Biden, antecessor de Trump, fortaleceu a luta contra o fentanil. Em outubro, sancionou dezenas de entidades e indivíduos sediados na China, acusando-os de serem “fornecedores” de traficantes americanos, vendedores on-line e cartéis mexicanos. O grupo, formado por empresas localizadas em Wuhan, outras partes da China continental e Hong Kong, é acusado de ter enviado ao México e Estados Unidos cerca de 900 kg de fentanil e precursores químicos, apreendidos pelas autoridades.“O comércio mundial de fentanil que provoca a morte de americanos geralmente começa em fábricas químicas chinesas”, disse Merrick Garland, enquanto era procurador-geral dos EUA.
Quais acordos China e EUA assinaram?
Em novembro de 2023, em São Francisco, no oeste dos Estados Unidos, os presidentes Joe Biden e Xi Jinping prometeram retomar as discussões sobre o assunto. Em meados de 2024, a China anunciou um maior controle sobre três principais componentes do fentanil. Mas especialistas dizem que os traficantes de drogas se adaptam rapidamente, criando novas variantes de químicos.A China não está sendo rígida o suficiente com as empresas envolvidas nesse comércio, diz Vanda Felbab-Brown, do laboratório de ideias americano Brookings Institution. “Estamos longe de acusações reais ou processos concretos por lavagem de dinheiro ou envio de substâncias para cartéis mexicanos”, disse.
O aumento das tarifas será eficaz?
Trump está determinado a adotar uma linha dura contra a China, mas não há garantia de que os aumentos das tarifas terão o efeito desejado. Podem até ser contraproducentes. “A China está ampliando sua cooperação na aplicação da lei e no combate ao tráfico de drogas com países com os quais mantém boas relações”, disse Felbab-Brown.
No entanto, “países com os quais mantém relações ruins ou que estão enfraquecendo, recusa qualquer cooperação”, acrescentou. Há também o problema da lavagem de dinheiro.“Os cartéis internacionais cada vez mais recorrem a grupos chineses especializados em serviços de lavagem de dinheiro rápidos, baratos e seguros”, disse a pesquisadora Zongyuan Zoe Liu em um relatório publicado em setembro pelo grupo americano Council on Foreign Relations. “Obter o apoio de Pequim para interromper o fluxo ilícito de fentanil e suas substâncias químicas é um primeiro passo crucial para conter a oferta” do tráfico, enfatiza.

*Com informações da AFP
Publicado por Victor OliveiraPor Jovem Pan 03/02/2025 11h30 - Atualizado em 03/02/2025 11h32
