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Manifesto da sociedade civil cobra Código de Conduta para ministros do STF

Mais de 50 organizações lançam manifesto em apoio à iniciativa da OAB-SP. Documento será entregue ao ministro Edson Fachin, presidente do STF.

Manifesto da sociedade civil cobra Código de Conduta para ministros do STF
Manifesto da sociedade civil cobra Código de Conduta para ministros do STF (Foto: Reprodução)

A sociedade civil está se mobilizando para exigir mais ética, transparência e responsabilidade dos mais altos cargos do Poder Judiciário brasileiro. Nesta segunda-feira, a retomada das atividades após o recesso do judiciário está sendo acompanhada pelo lançamento do Manifesto por Diretrizes Objetivas de Conduta nos Tribunais Superiores, com o apoio de 53 organizações da sociedade civil, entre elas o Livres, a Transparência Brasil, o Movimento Orçamento Bem Gasto e o Movimento Pessoas à Frente.



A iniciativa endossa a proposta da OAB-SP, que formulou um documento com a participação dos ex-ministros da Suprema Corte, Ellen Gracie e Cezar Peluso, além de juristas como Miguel Reale Jr e José Eduardo Cardoso, que estiveram em lados opostos no processo de impeachment da ex-presidente Dilma.

O manifesto da sociedade civil propõe a criação de um Código de Conduta para os ministros do STF e demais tribunais superiores — uma medida já adotada em democracias consolidadas, como Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

A iniciativa também conta com a adesão de grandes nomes da economia brasileira, como Armínio Fraga, Guilherme Leal, Jayme Garfinkel, Jose Luis Egydio Setubal e Wolf Klabin. “Acreditamos que ninguém pode se sentir acima da ética ou se colocar acima da lei, especialmente membros do judiciário”, comenta o diretor-executivo do Livres, o cientista político Magno Karl.

A crise de confiança no Judiciário

A proposta surge em um momento de desgaste crescente da imagem do STF e dos tribunais superiores, impulsionado por casos recorrentes de comportamentos inadequados e conflitos de interesse, com especial repercussão a partir do processo de liquidação do Banco Master.

O manifesto denuncia que, embora o Judiciário deva ser o exemplo máximo de sobriedade e imparcialidade, a ausência de regras claras e mecanismos de fiscalização eficazes tem alimentado a perda de confiança da população nas instituições e na própria democracia.

As 7 diretrizes do Código de Conduta

O documento propõe sete eixos centrais para assegurar a integridade e a independência da magistratura de cúpula:

Imparcialidade Real: Obrigatoriedade de declarar conflitos de interesses e recusar processos com conexões pessoais ou ideológicas.
Gestão de Benefícios: Regras rígidas contra vantagens e hospitalidades que possam comprometer a reputação do magistrado.
Blindagem contra Relações Privadas: Prevenção de conflitos envolvendo parentes que atuam em escritórios de advocacia com causas nos tribunais.
Comunicação Sobriedade: Autocontenção em redes sociais e eventos, evitando posicionamentos político-partidários ou antecipação de votos.
Regulação do Ensino Jurídico: Disciplinar palestras e eventos remunerados por entes que possuem interesses diretos em decisões judiciais.
Transparência Radical: Publicação padronizada de agendas, patrimônios, vínculos acadêmicos e recusas de convites.
Fiscalização Independente: Criação de uma instância autônoma para orientar e garantir o cumprimento dessas normas.
Apoio aberto e mobilização cidadã

Além das organizações signatárias, o manifesto está disponível para assinatura de novos apoiadores — tanto organizações quanto indivíduos — por meio de uma plataforma online. O objetivo é ampliar a mobilização social em torno de uma pauta que, segundo os proponentes, não é ideológica nem partidária, mas de defesa institucional da democracia.




Por Mano Ferreira 02/02/2026 10h14