CBF: grandes patrocinadores, sem títulos recentes; por quê?
Sadia (com um contrato de R$ 400 milhões até 2031), Uber, Volkswagen, iFood e outros entraram (ou voltaram) para o jogo, ampliando o portfólio da entidade em pleno ano de Copa
25/02/2026 13:35
Nos últimos dias, a CBF anunciou mais patrocinadores oficiais — e, pelo volume dos investimentos, são todos grandes players do mercado.Sadia (com um contrato de R$ 400 milhões até 2031), Uber, Volkswagen, iFood e outros entraram (ou voltaram) para o jogo, ampliando o portfólio da entidade em pleno ano de Copa do Mundo.

Nos clubes, a mesma coisa: anunciantes seguem chegando. Mas nas redes sociais, as perguntas não param: essas empresas não se importam com a reputação das gestões das entidades esportivas? Com os escândalos, as polêmicas, as críticas constantes?
Entendo que sim, elas se importam. Mas priorizam o retorno sobre o investimento (ROI). Enquanto a Seleção Brasileira — ou a argentina, por exemplo — entregar sucesso em campo, emoção global e uma legião de fãs apaixonados, a marca continua valendo ouro.
As gestões polêmicas viram “ruído de fundo”: barulho que incomoda, mas não justifica abandonar um ativo tão rentável.
É o clássico: o show deve continuar.Se um dia o apelo cair de verdade — seca prolongada de títulos, desinteresse do público ou escândalos irrecuperáveis —, aí sim os patrocinadores repensam rápido e saem correndo.
Por enquanto, o campo manda. A bola rolando decide mais do que qualquer manchete.
Outra pergunta que pipocou recentemente: “E o compliance rigoroso nisso tudo? Não tem risco reputacional?”A resposta mais crua é que, nesses casos, o compliance pesa o risco material (o que pode efetivamente impactar o negócio) contra o risco percebido (o que aparece na mídia e nas redes).
E, na prática, adota a mesma lógica: o show deve continuar.
Ah, mas o Brasil não tem títulos recentes… Verdade. A última Copa foi em 2002, e as eliminações recentes doem.Mesmo assim, para os investidores, a marca Brasil é histórica. O legado imbatível — Pelé, Ronaldo, Romário, a amarelinha, as cinco estrelas — ainda é visto como um tesouro inabalável.
Enquanto houver chance real de brilhar, de entregar visibilidade massiva e emoção, sempre vai existir interesse em vincular a imagem da marca ao poder do futebol.
Isso vale para o mundo todo: da Europa à América Latina, as grandes marcas abraçam o jogo quando a bola rola de verdade.(Nota do autor: Texto transcrito e ajustado a partir de gravação de áudio original, com correções ortográficas e melhorias de fluidez para leitura)

Por Wanderley Nogueira 25/02/2026 11h34
