Trump assina documento contra cartéis, e debate pode afetar o Brasil com PCC e CV
O documento estabelece uma coalizão internacional para combater cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais
09/03/2026 14:26
Uma proclamação assinada no sábado (7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu um novo capítulo na estratégia de segurança do país para a América Latina.
O documento estabelece uma coalizão internacional para combater cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais – um movimento que já levanta questionamentos sobre possíveis impactos para grupos que atuam no Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A proclamação foi anunciada durante a chamada Cúpula Escudo das Américas, realizada em Miami, e formaliza a criação da Coalizão Anticartéis das Américas, uma iniciativa que reúne representantes de 17 países para ampliar a cooperação contra o crime organizado transnacional.
O documento estabelece uma coalizão internacional para combater cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais – um movimento que já levanta questionamentos sobre possíveis impactos para grupos que atuam no Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A proclamação foi anunciada durante a chamada Cúpula Escudo das Américas, realizada em Miami, e formaliza a criação da Coalizão Anticartéis das Américas, uma iniciativa que reúne representantes de 17 países para ampliar a cooperação contra o crime organizado transnacional.
O que muda na prática
Na prática, o documento indica que os Estados Unidos passam a coordenar uma estratégia regional mais ampla contra cartéis e redes criminosas.
Entre as ações previstas estão:
– troca intensiva de inteligência entre os países participantes
– operações conjuntas contra redes criminosas transnacionais
– identificação e destruição de rotas de tráfico
– bloqueio de financiamento e lavagem de dinheiro
– treinamento e cooperação entre forças militares e de segurança
A iniciativa também permite que países participantes solicitem apoio de parceiros, incluindo os Estados Unidos, para localizar e desmantelar infraestrutura usada por cartéis, como bases logísticas e rotas internacionais de drogas.
Autoridades americanas também defendem uma abordagem mais dura contra organizações criminosas. Durante a cúpula, Trump chegou a incentivar governos da região a utilizar suas forças militares contra cartéis, destacando que a coalizão busca uma resposta coordenada ao crime organizado que atua além das fronteiras nacionais.
Países envolvidos
A iniciativa reúne governos de diferentes países da América Latina e do Caribe. Entre os líderes presentes na cúpula estavam representantes de países como Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Costa Rica, República Dominicana, Panamá, Honduras e Chile, além dos Estados Unidos.
Três grandes potências regionais, no entanto, ficaram fora da iniciativa inicial: Brasil, México e Colômbia.
A ausência desses países chamou atenção porque eles estão entre os principais territórios de origem, trânsito ou combate ao narcotráfico na região.
Impacto para o Brasil
Mesmo sem participar da coalizão, o Brasil aparece no centro das discussões sobre crime organizado no continente.
Isso porque organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando
Vermelho, ampliaram sua atuação internacional nas últimas décadas, especialmente em rotas de tráfico de drogas que passam por países da América do Sul.
Com a nova coalizão, analistas avaliam que países vizinhos que participam da iniciativa podem intensificar operações e cooperação policial nas fronteiras, o que pode afetar rotas utilizadas por redes criminosas que passam pelo território brasileiro.
Na prática, alguns especialistas apontam que a estratégia americana pode criar um cinturão regional de cooperação de segurança ao redor do Brasil, especialmente em países que fazem fronteira direta ou estão próximos das principais rotas de tráfico utilizadas por organizações brasileiras.
PCC e Comando Vermelho
Outro ponto que passou a ser discutido após a proclamação é a possibilidade de organizações criminosas serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Esse tipo de classificação permitiria ao governo americano usar instrumentos mais amplos de combate, como:
– bloqueio internacional de recursos financeiros
– sanções econômicas
– restrições de viagem
– cooperação ampliada entre agências de inteligência
Durante a Cúpula Escudo das Américas, a porta-voz do United States Department of State, Amanda Robertson, foi questionada sobre esse cenário:
A pergunta foi feita pelo jornalista da Jovem Pan Eliseu Caetano, que perguntou diretamente sobre a possibilidade de grupos como PCC e Comando Vermelho entrarem na lista de organizações terroristas.
Segundo Robertson, “todas as cartas estão na mesa” quando se trata das medidas avaliadas pelo governo americano para combater o crime organizado transnacional.
A declaração não confirma que organizações brasileiras estejam prestes a receber essa classificação, mas também não descarta que essa possibilidade seja analisada no futuro.
Nova fase no combate ao crime
A criação da coalizão anticartéis sinaliza uma mudança importante na forma como os Estados Unidos tratam o crime organizado no hemisfério.
Em vez de focar apenas em investigações policiais e cooperação judicial, a estratégia apresentada pelo governo americano passa a incluir coordenação militar, inteligência regional e pressão diplomática contra redes criminosas.
Para países da América Latina – e especialmente para o Brasil – o impacto real da iniciativa dependerá de como essa coalizão evoluirá nos próximos meses e de quais medidas concretas serão adotadas pelos governos participantes.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
Por Eliseu Caetano 09/03/2026 13h44
