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Mendonça proibe CMPI do INSS de acessar dados de Vorcaro

A decisão do ministro se deu depois de mensagens do banqueiro serem noticiadas pela imprensa

Mendonça proibe CMPI do INSS de acessar dados de Vorcaro
Mendonça proibe CMPI do INSS de acessar dados de Vorcaro (Foto: Reprodução)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (16) que seja suspenso o acesso ao material oriundo da quebra de sigilo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, armazenado na Sala-cofre da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura as fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O magistrado ordenou que a Polícia Federal (PF) cumpra a decisão “com urgência”.

“Determino, com efeitos imediatos, que ninguém tenha acesso ao material armazenado na Sala-cofre da CPMI-INSS referente aos equipamentos e documentos apreendidos do investigado Daniel Bueno Vorcaro”, diz a decisão. Por ordem de Mendonça, as informações referentes à vida privada do banqueiro não devem ser compartilhadas com o colegiado.



O ministro ainda determinou que a corporação, em “colaboração interinstitucional com a presidência da CPMI do INSS”, retire todos os equipamentos da Sala-cofre para fazer uma nova separação dos dados de Vorcaro.

Quebra de sigilo de Vorcaro

Em 4 de março, o presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), comunicou que a PF entregou ao colegiado o material oriundo da quebra de sigilo de Vorcaro. No final do dia, conversas do banqueiro começaram a ser noticiadas na imprensa.


As reportagens expuseram trocas de mensagens de Vorcaro com autoridades, a namorada e affairs. Também foram divulgadas citações feitas pelo dono do Master a deputados, senadores, ministros do STF, jornalistas e empresários.


Dois dias depois, em 6 de março, Mendonça acolheu o pedido da defesa de Vorcaro para instaurar investigação sobre o acesso da imprensa às conversas. Na mesma decisão, o ministro informou que o vazamento não tem ligação com a investigação da PF, sob supervisão do Supremo, no âmbito da Operação Compliance Zero. A ação apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master.


Segundo o magistrado, a divulgação das conversas colhidas no celular de Vorcaro ocorreu depois de o material ser devolvido à CPMI do INSS. O primeiro relator do caso do Mater no STF, o ministro Dias Toffoli, havia ordenado que os documentos ficassem sob tutela da presidência do Senado até o repasse para a PF.


Ao aceitar o pedido da defesa de Vorcaro, o ministro relembrou que, quando autorizou a devolução do material à CPMI do INSS, “fez questão de consignar” que o “tratamento das informações deveria observar rigorosamente as garantias fundamentais”. Dentre elas, a “preservação da intimidade”.


As reportagens expuseram trocas de mensagens de Vorcaro com autoridades, a namorada e affairs. Também foram divulgadas citações feitas pelo dono do Master a deputados, senadores, ministros do STF, jornalistas e empresários.


Dois dias depois, em 6 de março, Mendonça acolheu o pedido da defesa de Vorcaro para instaurar investigação sobre o acesso da imprensa às conversas. Na mesma decisão, o ministro informou que o vazamento não tem ligação com a investigação da PF, sob supervisão do Supremo, no âmbito da Operação Compliance Zero. A ação apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master.


Segundo o magistrado, a divulgação das conversas colhidas no celular de Vorcaro ocorreu depois de o material ser devolvido à CPMI do INSS. O primeiro relator do caso do Mater no STF, o ministro Dias Toffoli, havia ordenado que os documentos ficassem sob tutela da presidência do Senado até o repasse para a PF.


Ao aceitar o pedido da defesa de Vorcaro, o ministro relembrou que, quando autorizou a devolução do material à CPMI do INSS, “fez questão de consignar” que o “tratamento das informações deveria observar rigorosamente as garantias fundamentais”. Dentre elas, a “preservação da intimidade”.


Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.


Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, teve o seu encerramento forçado.


O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.




Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.


Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.


Por Beatriz Souza e Júlia Mano 16/03/2026 20h36 - Atualizado em 16/03/2026 21h20