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Fraude no INSS: Gorete Pereira aprovava projeto na Câmara, enquanto PF preparava operação

Deputada do MDB-CE é alvo da Operação Indébito, que investiga esquema de descontos não autorizados em benefícios do INSS

Fraude no INSS: Gorete Pereira aprovava projeto na Câmara, enquanto PF preparava operação
Fraude no INSS: Gorete Pereira aprovava projeto na Câmara, enquanto PF preparava operação (Foto: Reprodução)

Enquanto a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) conduzia a aprovação de seu projeto de lei sobre o porte de spray de pimenta por mulheres, na semana passada, a Polícia Federal ultimava os preparativos para uma operação que a colocaria, seis dias depois, entre os alvos de uma investigação sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).



Nesta terça-feira (17), a PF deflagrou a Operação Indébito, desdobramento da Operação Sem Desconto, com cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão no Ceará e no Distrito Federal, além de dois mandados de prisão e outras medidas cautelares. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Gorete Pereira não foi presa, mas passou a cumprir medida cautelar com uso de tornozeleira eletrônica..


Segundo a decisão judicial que embasou a operação, a parlamentar teria recebido procuração da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN) para celebrar um Acordo de Cooperação Técnica com o INSS — instrumento que permitia às entidades realizar descontos diretamente nos benefícios dos segurados. A investigação aponta movimentações financeiras consideradas suspeitas de aproximadamente R$ 245 mil atribuídas à parlamentar entre 2018 e 2023. Os crimes investigados incluem organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas públicos e ocultação patrimonial.


O período sob investigação coincide com os anos em que Gorete Pereira esteve fora do Congresso. Não reeleita em 2018, a parlamentar ficou sem mandato por quase sete anos. Retornou à Câmara em dezembro de 2025, como suplente do MDB — partido ao qual se filiou recentemente após longa trajetória no PL —, quando a Operação Sem Desconto já havia sido deflagrada, em abril de 2025, e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS estava em funcionamento.


Na operação desta terça-feira, foram presos a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da AAPEN, e o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado pela investigação como um dos principais operadores financeiros do esquema. Segundo as autoridades, o grupo teria movimentado ao menos R$ 1,3 bilhão por meio de descontos indevidos aplicados em benefícios previdenciários sem o conhecimento ou consentimento dos segurados.




.Por Bruno Pinheiro 17/03/2026 09h19