Operação em 3 estados e no DF mira falsos advogados que aplicavam golpes com precatórios
Ação coordenada cumpre mandados em quatro unidades da federação e investiga vazamento de dados judiciais
24/03/2026 10:19
Uma megaoperação policial realizada na manhã desta terça-feira (24) mobilizou agentes em diferentes regiões do país para combater um esquema de estelionato praticado por falsos advogados. A ação ocorreu simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e no Distrito Federal, com o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão.

De acordo com o delegado do Departamento de Operações Especiais (DOPE) da Polícia Civil paulista, Ricardo Farabullini, a quadrilha atuava em diversos estados, entrando em contato com vítimas por telefone ou por mensagens via aplicativos como o WhatsApp. Os criminosos se passavam por advogados responsáveis por ações judiciais e precatórios reais que as vítimas tinham a receber.
Com acesso a informações detalhadas dos processos, os golpistas solicitavam o pagamento de taxas sob a justificativa de liberar os valores. No entanto, tratava-se de um golpe, e os valores nunca eram repassados às vítimas.
As investigações agora avançam para apurar como ocorreu o vazamento de dados sigilosos do Tribunal de Justiça de São Paulo, que permitiu aos criminosos acesso a informações sensíveis. A polícia também busca identificar o possível envolvimento de servidores públicos no fornecimento de dados e até de credenciais de advogados utilizadas no esquema.
Até o momento, sete pessoas foram presas. Duas mulheres apontadas como integrantes do grupo também foram ouvidas pelas autoridades.
A Polícia Civil de São Paulo já havia realizado operações semelhantes recentemente, incluindo uma ação no interior do estado, na região de Presidente Prudente. Segundo as investigações, um dos escritórios utilizados pelos criminosos funcionava na Avenida Fariah Lima, considerada um dos principais centros financeiros do país.
Diante do aumento desse tipo de crime, a polícia reforça o alerta à população: nunca realizar pagamentos antecipados para liberação de valores judiciais. A orientação é que as vítimas entrem em contato diretamente com o advogado responsável pela ação, preferencialmente de forma presencial. Caso isso não seja possível, a recomendação é buscar canais oficiais antes de qualquer negociação, já que os criminosos têm utilizado dados reais para tornar o golpe mais convincente.

Por David de Tarso 24/03/2026 09h47 - Atualizado em 24/03/2026 09h47
