Receio da opinião pública, leva PT ainda avaliar a classificação de PCC e CV como grupos terroristas.
Governo Lula mantém cautela após decisão dos EUA e teme impactos políticos, econômicos e diplomáticos
29/05/2026 09:34
Por Prime Notícias
29 de maio de 2026 — 09h18
O debate sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas voltou ao centro das discussões políticas no Brasil após os Estados Unidos anunciarem oficialmente a designação das facções como grupos terroristas estrangeiros.

A medida foi assinada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e deve entrar em vigor a partir de 5 de junho. Segundo o governo dos EUA, a decisão abre caminho para sanções financeiras internacionais mais rígidas, ampliação do combate ao tráfico internacional e cooperação mais intensa entre órgãos de inteligência e segurança.
No Brasil, porém, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda evita aderir à mesma classificação. Integrantes do Planalto avaliam que o tema possui forte impacto político e pode gerar desgaste junto à opinião pública, principalmente diante da crescente pressão popular por medidas mais duras contra o crime organizado.
Nos bastidores, o governo teme que a classificação de PCC e CV como grupos terroristas abra precedentes para interferências internacionais, além de possíveis sanções econômicas envolvendo instituições financeiras brasileiras. Outro ponto de preocupação é o entendimento jurídico da legislação brasileira, que atualmente associa o terrorismo a motivações ideológicas, religiosas ou políticas — características que, segundo integrantes do governo e especialistas, não se encaixariam no perfil das facções criminosas.
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski já havia defendido anteriormente que organizações criminosas voltadas ao lucro, tráfico de drogas e domínio territorial não podem ser enquadradas automaticamente como terrorismo pela legislação brasileira.
Enquanto isso, setores da oposição defendem a mudança imediata na classificação. Para esses grupos, reconhecer PCC e CV como organizações terroristas facilitaria o bloqueio de recursos financeiros, endureceria punições e ampliaria acordos internacionais de combate ao crime organizado.
A discussão ganhou ainda mais repercussão após declarações de aliados do senador Flávio Bolsonaro, que teriam participado de articulações junto ao governo norte-americano para pressionar pela decisão dos Estados Unidos.
Especialistas em segurança pública seguem divididos. Parte considera que a classificação teria efeito mais político do que prático no combate às facções. Outros acreditam que a medida poderia fortalecer mecanismos internacionais de repressão financeira e operacional contra o crime organizado transnacional.
Apesar da pressão internacional e do debate crescente nas redes sociais, o Palácio do Planalto ainda evita assumir posição definitiva sobre eventual mudança na legislação brasileira.

Fontes: Reuters, UOL, CNN Brasil e VEJA.
