Rubio diz que América é cheia de amigos e aliados dos EUA, mas deixa Brasil de fora
Rubio citou uma onda de "coalizão de países amigos" na América Latina. Mas colocou o Brasil na lista de exceções de aliados.
02/06/2026 13:17
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, defendeu nesta terça-feira (2) a política externa do governo norte-americano para o Hemisfério Ocidental, conduzida pelo Departamento de Estado.

Ao destacar o fortalecimento das relações com países da América Latina, Rubio afirmou que a região vive uma fase marcada pela formação de uma "coalizão de países amigos". No entanto, apontou o Brasil como uma das exceções entre os aliados dos Estados Unidos.
"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, o Brasil — embora esteja no meio de um ciclo eleitoral — e, em alguma medida, a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", declarou durante uma audiência no Congresso americano.
Negociações com o Irã
Durante a sabatina, Rubio também negou que as negociações com o Irã tenham sido interrompidas. A declaração veio após autoridades iranianas afirmarem que suspenderam as conversas em resposta a recentes ataques de Israel no Líbano.
Segundo o secretário de Estado, o governo iraniano concordou em discutir aspectos de seu programa nuclear, considerado o principal ponto de divergência entre Washington e Teerã.
"As conversas continuam", afirmou Rubio aos parlamentares, em sua primeira participação no Congresso desde o início do conflito no Oriente Médio.
Apesar da declaração, fontes do governo iraniano disseram à agência de notícias Fars News que negociadores dos dois países não mantêm contato há vários dias. Segundo essas fontes, o distanciamento seria uma reação aos ataques israelenses em território libanês, que têm colocado em risco o já frágil cessar-fogo em vigor.
A manutenção da trégua e a busca por um acordo definitivo devem estar entre os principais temas debatidos por deputados e senadores ao longo das audiências. Até a última atualização desta reportagem, a sessão ainda estava em andamento.
Rubio, ex-senador republicano, também participará de uma nova audiência no Senado nesta quarta-feira (3).
Crescem as críticas à guerra
Embora esta seja a primeira vez que Rubio presta depoimento público ao Congresso desde o início da guerra, ele já havia participado anteriormente de uma reunião reservada com parlamentares, realizada poucos dias após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Na ocasião, enfrentou críticas de democratas pela falta de autorização prévia do Congresso para a operação militar, mas recebeu amplo apoio da maioria republicana.
Nos últimos dois meses, porém, um grupo pequeno, mas crescente, de republicanos passou a se juntar aos democratas para questionar os custos bilionários do conflito e seus impactos na economia, especialmente diante da proximidade das eleições legislativas de meio de mandato.
No mês passado, o Senado avançou, pela primeira vez, uma proposta que obrigaria o presidente Donald Trump a retirar os Estados Unidos do conflito. A iniciativa ganhou força após o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, declarar apoio ao projeto apresentado pelos democratas.
A Câmara dos Representantes também chegou a agendar a votação de uma resolução relacionada aos poderes de guerra do presidente. No entanto, a liderança republicana impediu que a proposta fosse levada ao plenário ao constatar que não teria votos suficientes para barrá-la.
Os episódios evidenciam as dificuldades enfrentadas pelo Partido Republicano para manter a unidade em torno da condução da guerra por Trump, à medida que parte de sua base demonstra maior disposição para contrariar o presidente.
Mesmo diante das críticas, integrantes do governo, incluindo Rubio, seguem defendendo a decisão de Trump de iniciar a guerra contra o Irã, apesar das promessas feitas ao longo dos anos de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em "guerras sem fim" no Oriente Médio.

Cuba também deve entrar no debate
Filho de imigrantes cubanos, Rubio também deverá ser questionado sobre o endurecimento da política do governo Trump em relação a Cuba. O presidente norte-americano tem sugerido que a ilha poderá se tornar o próximo foco de pressão dos Estados Unidos após o encerramento das operações militares contra o Irã.
Apesar de uma série de encontros entre autoridades americanas e cubanas, Trump e Rubio voltaram a adotar um tom mais duro contra Havana, especialmente após a apresentação de acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro.
O atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou as acusações como uma manobra política destinada a "justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba".
Ao longo de sua trajetória política e agora como principal diplomata dos Estados Unidos, Rubio tem sustentado que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional americana devido aos seus vínculos com adversários de Washington. Segundo ele, Trump permanece determinado a enfrentar essa questão.


Crédito: G1
