Raízen obtém apoio de credores para plano de reorganização de dívida de R$ 64,7 bilhões
Empresa responsável pela operação dos postos Shell no Brasil prevê novos aportes financeiros, conversão parcial de dívidas em ações e separação dos negócios para reduzir pressão sobre o caixa.
06/06/2026 11:19
Prime News
A Raízen anunciou uma nova etapa do processo de reorganização de sua estrutura financeira após obter apoio da maioria dos credores para um plano de recuperação extrajudicial que busca reestruturar uma dívida de R$ 64,7 bilhões. A companhia atua em áreas como distribuição de combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia e opera a marca Shell no mercado brasileiro.

Segundo informações divulgadas pela empresa, o plano recebeu adesão de 75,45% dos credores abrangidos pela operação, percentual considerado suficiente para o avanço do pedido junto à Justiça. O processo foi protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.
Entre as medidas previstas está um aporte de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell, além da possibilidade de um investimento adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, ligada ao grupo controlador da Cosan, caso haja adesão à operação. O plano também prevê que 45% da dívida incluída na reestruturação seja convertida em participação acionária, enquanto os 55% restantes serão refinanciados ou substituídos por novos instrumentos financeiros com prazos alinhados à geração de caixa da empresa.
Outro ponto central da proposta é a reorganização societária da companhia. A expectativa é concluir, até o fim de 2027, a separação das operações em duas estruturas independentes: uma voltada para energia, açúcar, etanol e bioenergia; e outra dedicada ao negócio de combustíveis e lubrificantes. A empresa afirma que a medida busca reduzir alavancagem financeira, reforçar liquidez e preservar a continuidade operacional.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite negociar dívidas com credores sem interromper as atividades da empresa, dependendo posteriormente de homologação judicial para produzir efeitos mais amplos.

Fontes: G1 / CNBC Times Brasil / Estadão / Broadcast
