Construtora afirma ter recomendado interdição de ponte no Acre um dia antes do desabamento
Empresa relata sinais de erosão, rachaduras e instabilidade no terreno; governo estadual busca responsabilização e Justiça determina medidas emergenciais
08/06/2026 11:34
Prime News
A construtora responsável pela Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no Acre, afirmou que recomendou a interdição total da estrutura um dia antes do desabamento ocorrido na última sexta-feira (5). Segundo a empresa, a orientação foi enviada formalmente ao Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) após a identificação de sinais de instabilidade na área.

De acordo com nota divulgada pela Construtora Cidade, equipes técnicas passaram a observar, cerca de uma semana antes do incidente, indícios como rachaduras, deslocamentos de solo, erosão e desníveis no entorno da ponte. Conforme a empresa, análises preliminares identificaram movimentações em uma área estimada em aproximadamente 16 mil metros quadrados, abrangendo regiões além da própria estrutura.
A empresa sustenta que os indícios observados seriam compatíveis com o fenômeno conhecido como “terras caídas”, associado a processos erosivos e à variação natural do nível dos rios na região amazônica. Ainda segundo a construtora, a recomendação de interdição incluiu a suspensão do tráfego de veículos e pedestres por questões de segurança.
O governo do Acre informou que adotou a medida preventiva de interdição antes do colapso da estrutura e, posteriormente, ingressou na Justiça para buscar a responsabilização da empresa. Entre os pedidos apresentados estão ações para reparação dos danos e assistência às pessoas atingidas.
Após o desabamento, a Justiça do Acre determinou que a construtora implemente medidas emergenciais no local e apresente um plano de apoio às famílias eventualmente afetadas pela instabilidade da área. O pedido de bloqueio cautelar de bens ainda não havia sido acolhido até a publicação das decisões iniciais.
O desabamento deixou quatro pessoas feridas. As causas definitivas do colapso ainda dependem da conclusão dos laudos técnicos e das investigações conduzidas pelos órgãos competentes.

Fontes: Folha de S.Paulo / IstoÉ Dinheiro / SBT News
