Governo federal avalia que Donald Trump vê Pix como ferramenta para comércio sem uso do dólar
Integrantes da gestão brasileira apontam que a preocupação dos EUA com a internacionalização do sistema nacional vai além de disputas com empresas de cartões
08/06/2026 20:39
| Atualizado há 3 Semanas atrás
Prime News
Integrantes do governo federal brasileiro avaliam que as recentes pressões e investigações da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Pix estão diretamente associadas ao potencial do sistema de pagamentos instantâneos em viabilizar transações comerciais internacionais sem a dependência do dólar. Na análise de autoridades de Brasília, a Casa Branca observa o mecanismo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil como uma alternativa viável para trocas bilaterais diretas fora do modelo tradicional de conversão prévia para a moeda estadunidense.

"A preocupação do presidente dos Estados Unidos com o Pix vai além da defesa dos interesses das empresas estadunidenses de meios de pagamento", apontam relatórios internos de monitoramento diplomático, destacando o impacto geopolítico da ferramenta na arquitetura financeira global.
De acordo com análises do governo, o temor em Washington abrange também a possibilidade de o Pix e suas futuras expansões internacionais funcionarem como soluções paralelas ao SWIFT — a principal rede de transferências e mensagens bancárias globais de onde os EUA exercem influência regulatória e política. Sistemas alternativos de liquidação imediata e de baixo custo reduzem o poder de sanções econômicas geridas pelas potências ocidentais.
A reação formal dos EUA materializou-se em um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), fundamentado na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O documento acusou o Banco Central do Brasil de criar um ambiente de "concorrência desleal" que prejudica operadoras de cartões de crédito americanas, como Visa e Mastercard, ao não taxar transações e dar preferência ao sistema nacional. Como contramedida, o governo Trump sugeriu a aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil.
O governo brasileiro contesta as alegações de discriminação comercial, defendendo que o Pix opera como uma política pública de inclusão financeira amplamente consolidada. Representantes dos ministérios econômicos articulam estratégias de diálogo e buscam abrir canais de negociação formal para esclarecer as salvaguardas regulatórias do sistema antes do vencimento dos prazos de resposta estipulados por Washington.

Fontes utilizadas: CNN Brasil / Folha de S.Paulo
