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Governo federal avalia que Donald Trump vê Pix como ferramenta para comércio sem uso do dólar

Integrantes da gestão brasileira apontam que a preocupação dos EUA com a internacionalização do sistema nacional vai além de disputas com empresas de cartões

Governo federal avalia que Donald Trump vê Pix como ferramenta para comércio sem uso do dólar
Governo federal avalia que Donald Trump vê Pix como ferramenta para comércio sem uso do dólar (Foto: Reprodução)

Prime News


Integrantes do governo federal brasileiro avaliam que as recentes pressões e investigações da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Pix estão diretamente associadas ao potencial do sistema de pagamentos instantâneos em viabilizar transações comerciais internacionais sem a dependência do dólar. Na análise de autoridades de Brasília, a Casa Branca observa o mecanismo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil como uma alternativa viável para trocas bilaterais diretas fora do modelo tradicional de conversão prévia para a moeda estadunidense.



"A preocupação do presidente dos Estados Unidos com o Pix vai além da defesa dos interesses das empresas estadunidenses de meios de pagamento", apontam relatórios internos de monitoramento diplomático, destacando o impacto geopolítico da ferramenta na arquitetura financeira global.

De acordo com análises do governo, o temor em Washington abrange também a possibilidade de o Pix e suas futuras expansões internacionais funcionarem como soluções paralelas ao SWIFT — a principal rede de transferências e mensagens bancárias globais de onde os EUA exercem influência regulatória e política. Sistemas alternativos de liquidação imediata e de baixo custo reduzem o poder de sanções econômicas geridas pelas potências ocidentais.

A reação formal dos EUA materializou-se em um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), fundamentado na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O documento acusou o Banco Central do Brasil de criar um ambiente de "concorrência desleal" que prejudica operadoras de cartões de crédito americanas, como Visa e Mastercard, ao não taxar transações e dar preferência ao sistema nacional. Como contramedida, o governo Trump sugeriu a aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil.

O governo brasileiro contesta as alegações de discriminação comercial, defendendo que o Pix opera como uma política pública de inclusão financeira amplamente consolidada. Representantes dos ministérios econômicos articulam estratégias de diálogo e buscam abrir canais de negociação formal para esclarecer as salvaguardas regulatórias do sistema antes do vencimento dos prazos de resposta estipulados por Washington.


Fontes utilizadas: CNN Brasil / Folha de S.Paulo