cover
Tocando Agora:

STF analisa recurso que pode anular absolvição no caso de Mariana Ferrer

Julgamento de repercussão geral discute se constrangimentos sofridos durante audiência de instrução podem invalidar provas e sentenças em processos de crimes sexuais

STF analisa recurso que pode anular absolvição no caso de Mariana Ferrer
STF analisa recurso que pode anular absolvição no caso de Mariana Ferrer (Foto: Reprodução)

Prime News


O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou a análise de um recurso extraordinário que pode resultar na anulação do processo penal que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro de vulnerável. O caso original, que envolve a influenciadora digital Mariana Ferrer e remete a fatos ocorridos em 2018 em uma boate em Santa Catarina, passou a ser avaliado sob o rito de repercussão geral. Isso significa que a tese jurídica fixada pela Suprema Corte servirá de diretriz obrigatória para todas as ações semelhantes em tramitação na Justiça brasileira.



O recurso foi apresentado pela assistência de acusação contra o acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), que havia mantido a decisão de primeira instância pela absolvição do empresário por insuficiência de provas. A contestação levada ao STF foca na conduta adotada durante a audiência de instrução do caso, sob o argumento de que a autora da ação sofreu humilhações, constrangimentos e insinuações por parte do advogado de defesa do acusado, sem que houvesse intervenção do juiz ou do promotor de justiça para interromper as ofensas.

Sustentações orais e teses em debate

A primeira sessão do julgamento foi dedicada às manifestações das partes envolvidas e de entidades interessadas (amici curiae):

- Argumentos da acusação: O advogado Júlio Cesar Ferreira da Fonseca, representante de Mariana Ferrer, defendeu a nulidade completa dos atos processuais. A tese sustenta que o depoimento colhido sob forte pressão psicológica e desrespeito à dignidade humana foi viciado, comprometendo a integridade da instrução e servindo indevidamente como base para a sentença absolutória.

- Argumentos da defesa: Por outro lado, a advogada Dora Cavalcanti, defensora de André de Camargo Aranha, requereu a manutenção do veredicto de absolvição. A defesa sustenta que o acervo probatório colhido no decorrer da ação é sólido e que os questionamentos sobre a regularidade da audiência já foram debatidos e superados pelas instâncias inferiores, não havendo espaço legal para reverter a decisão.

O relator do recurso no Supremo é o ministro Alexandre de Moraes. O núcleo do debate constitucional ultrapassa a autoria do crime em si e foca em definir se provas produzidas em ambientes de violação aos direitos fundamentais e à honra do depoente devem ser declaradas inadmissíveis pelo Poder Judiciário. Após o encerramento das sustentações orais, a sessão plenária foi suspensa e o julgamento será retomado para a apresentação dos votos dos ministros.


Fontes utilizadas: Agência Brasil / Portal de Notícias R7