PF encontrou plano de Vorcaro para monitorar e controlar Malu Gaspar, diz site
Mensagens apreendidas mostram que ex-banqueiro discutiu vasculhar a vida da jornalista, ofereceu contrato milionário e, segundo a PF, articulou ações para intimidar profissionais que investigavam o banco
02/07/2026 13:28
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, acompanhava de perto o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, enquanto ela publicava reportagens sobre a situação financeira da instituição.

O material, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo site Fatos On-line, indica uma estratégia para retirar a jornalista da cobertura e reunir informações sobre sua vida pessoal.
As conversas fazem parte das investigações que levaram à prisão de Vorcaro e foram extraídas do celular e de outros dispositivos apreendidos pela Polícia Federal. Os diálogos ocorreram entre o ex-banqueiro e Thiago Miranda, empresário do setor de comunicação e seu sócio.
Segundo as mensagens, a preocupação aumentou após Malu publicar, em 31 de março de 2025, uma informação de que o Banco de Brasília (BRB) estudava assumir apenas parte dos CDBs distribuídos pelo Master, conforme declarações do então presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, posteriormente preso pela PF.
No dia seguinte à publicação, Vorcaro escreveu que seria necessário “pegar algo dessa mulher no pessoal”. A resposta de Miranda foi imediata. “Vou revirar a vida dela. Alguma coisa vamos achar”, afirmou o empresário, de acordo com o conteúdo obtido pela investigação.
As conversas indicam que a estratégia não se limitava ao monitoramento. Em outro diálogo, Miranda afirmou que era preciso encontrar uma forma de “calar” a jornalista. Foi então que Vorcaro sugeriu tentar contratá-la.
Proposta milionária
As mensagens mostram que a ideia evoluiu rapidamente para uma oferta formal de trabalho. Segundo a Polícia Federal, Miranda entrou em contato com Malu Gaspar em abril de 2025 para apresentar uma proposta de contratação pela Leo Dias TV, empresa da qual ele e Vorcaro eram sócios.
Entre os arquivos apreendidos pelos investigadores foi localizado um contrato prevendo pagamento de R$ 1,5 milhão em luvas, salário mensal de R$ 120 mil e a apresentação de um programa diário sobre política e economia.
Nas conversas, contudo, os próprios envolvidos demonstravam dúvidas sobre o sucesso da iniciativa. Em uma das mensagens, Miranda afirma que “o problema é que ela não liga para dinheiro”.
Dias depois da abordagem, Vorcaro voltou a reclamar da cobertura jornalística.
“Malu e Lauro vieram com mais fúria após abordagem. São muito filhas da puta”, escreveu ao sócio, em referência também ao colunista Lauro Jardim, de O Globo.
No caso de Lauro Jardim, a investigação afirma que Vorcaro chegou a discutir um plano para simular um assalto e promover agressões físicas contra o jornalista como forma de intimidação. A suspeita integra uma das linhas de apuração conduzidas pela corporação.

Fonte: Marina Verenicz - Infomoney
