China realiza teste com míssil no Pacífico e provoca preocupação entre potências da região
Lançamento foi classificado por Pequim como parte de treinamento militar de rotina, mas Austrália, Japão e Nova Zelândia demonstraram preocupação com a falta de transparência sobre a expansão militar chinesa.
06/07/2026 11:46
Prime Notícias
A China realizou, nesta segunda-feira (6), um teste de lançamento de um míssil a partir de um submarino de propulsão nuclear em direção ao Oceano Pacífico, gerando reações de governos da região e reacendendo debates sobre a crescente presença militar de Pequim no Indo-Pacífico. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o projétil transportava uma ogiva de treinamento e atingiu uma área previamente designada em águas internacionais.

De acordo com as autoridades chinesas, o lançamento integrou o programa anual de treinamentos das Forças Armadas e não teve como alvo qualquer país ou território específico. O governo afirmou ainda que o exercício foi conduzido de forma segura e dentro das normas internacionais.
A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, informou que o governo australiano havia sido notificado previamente sobre o teste, mas classificou a ação como "desestabilizadora" para a região. Segundo ela, o episódio ocorre em um contexto de rápida expansão das capacidades militares chinesas, acompanhado, na avaliação de Canberra, por insuficiente transparência sobre os objetivos estratégicos de Pequim.
Além da Austrália, Japão e Nova Zelândia também manifestaram preocupação. O governo japonês informou que recebeu um aviso sobre a possibilidade de queda de destroços relacionados ao lançamento, embora tenha confirmado que o míssil caiu fora de sua Zona Econômica Exclusiva. Já o ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, afirmou considerar o teste um acontecimento "indesejável e preocupante" para os países do Pacífico Sul.
O lançamento ocorreu poucas horas após Austrália e Fiji firmarem um novo acordo de cooperação em defesa, em meio à disputa por influência estratégica entre Pequim e países aliados dos Estados Unidos na região do Pacífico. Especialistas ouvidos pela Reuters afirmaram que o teste provavelmente foi planejado com antecedência, mas observaram que o momento escolhido chamou atenção diante do cenário geopolítico atual.
A China vem ampliando seus investimentos em capacidades militares nos últimos anos, incluindo o fortalecimento de sua força naval e de seu arsenal de mísseis. Pequim sustenta que seu desenvolvimento militar possui caráter defensivo, enquanto governos da região defendem maior transparência para evitar o aumento das tensões no Indo-Pacífico.
Fonte: Reuters / Xinhua
