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Cientistas descobrem mecanismo que pode explicar como o café ajuda a proteger o organismo do envelhecimento

Estudo identifica um receptor celular ativado por compostos presentes na bebida, reforçando evidências sobre seus possíveis benefícios para a saúde; especialistas destacam que os resultados ainda exigem novas investigações em humanos

Cientistas descobrem mecanismo que pode explicar como o café ajuda a proteger o organismo do envelhecimento
Prime Rádio - com auxílio da I.A

Por Prime Rádio - Uma equipa de investigadores identificou um possível mecanismo biológico que ajuda a explicar por que o consumo moderado de café tem sido associado, há anos, a um menor risco de diversas doenças crónicas e a um envelhecimento mais saudável.



O estudo, publicado na revista científica Nutrients e conduzido por pesquisadores da Texas A&M University, concluiu que determinados compostos presentes no café são capazes de ativar o receptor celular NR4A1 (também conhecido como Nur77), uma proteína envolvida na regulação da resposta ao stress celular, da inflamação e dos processos de reparação dos tecidos.

Segundo os cientistas, esse receptor atua como uma espécie de regulador da defesa celular. Nos testes laboratoriais, os efeitos benéficos observados desapareceram quando o NR4A1 foi removido, fortalecendo a hipótese de que ele desempenha um papel central na ação protetora do café.

Um dos resultados considerados mais relevantes pelos investigadores foi a constatação de que compostos vegetais derivados do café, como o ácido cafeico, apresentaram maior atividade sobre esse receptor do que a própria cafeína. Isso sugere que os benefícios atribuídos à bebida podem estar relacionados ao conjunto dos seus componentes naturais, e não exclusivamente ao efeito estimulante da cafeína.

A descoberta ajuda a preencher uma lacuna existente na literatura científica. Diversos estudos epidemiológicos já haviam demonstrado que pessoas que consomem café de forma moderada tendem a apresentar menor incidência de doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, doenças neurodegenerativas e mortalidade por todas as causas. No entanto, os mecanismos biológicos responsáveis por essa associação permaneciam pouco compreendidos.

Uma revisão científica publicada em 2024 na revista Ageing Research Reviews reuniu evidências provenientes de mais de 50 estudos realizados em diferentes populações. Os autores concluíram que o consumo moderado de café está associado à redução do risco de diversas doenças relacionadas ao envelhecimento e pode favorecer mecanismos ligados ao controlo da inflamação, adaptação ao stress celular e preservação das funções cognitivas. A revisão também ressalta que esses resultados representam associações observacionais e não estabelecem uma relação direta de causa e efeito.

Apesar do avanço, os próprios investigadores alertam que o novo estudo foi desenvolvido principalmente em modelos laboratoriais e que ainda são necessários ensaios clínicos em seres humanos para confirmar a magnitude desses efeitos e determinar quais quantidades e tipos de café podem oferecer benefícios concretos à saúde.

Especialistas também lembram que o consumo de café deve ocorrer com moderação. O excesso de cafeína pode provocar efeitos adversos, como insónia, ansiedade, aumento da frequência cardíaca e desconforto gastrointestinal, sobretudo em pessoas mais sensíveis ou portadoras de determinadas condições médicas.

A nova descoberta representa um passo importante para compreender, em nível molecular, como compostos naturais presentes no café podem contribuir para mecanismos de proteção celular e envelhecimento saudável. No entanto, a comunidade científica reforça que o café não deve ser encarado como um tratamento ou garantia de longevidade, mas sim como um possível componente de um estilo de vida saudável, associado a alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico adequado.


Fontes consultadas: Texas A&M University / Nutrients / Ageing Research Reviews