Consumo frequente de maconha pode alterar resposta do organismo ao estresse, aponta estudo
Pesquisa identificou níveis mais elevados de cortisol ao despertar em usuários habituais de cannabis, indicando possível alteração no funcionamento do sistema de estresse do corpo
23/07/2026 14:09
Por Prime Rádio - O consumo frequente de maconha pode estar associado a alterações na forma como o organismo responde ao estresse, segundo um estudo científico que analisou níveis de cortisol — hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e relacionado à resposta do corpo diante de situações de tensão.A pesquisa identificou que pessoas que faziam uso habitual de cannabis apresentavam níveis mais elevados de cortisol ao despertar em comparação com indivíduos que não utilizavam a substância. O chamado “pico de cortisol matinal” é um processo natural do organismo, responsável por ajudar o corpo a se preparar para as atividades do dia. Alterações nesse mecanismo podem indicar mudanças na regulação do sistema de estresse.

De acordo com os pesquisadores, os resultados não significam que a maconha seja a única causa das alterações observadas, já que fatores como frequência e duração do consumo, características individuais, saúde mental, estilo de vida e outros hábitos podem influenciar os níveis hormonais.
O estudo avaliou consumidores frequentes de cannabis e comparou marcadores biológicos relacionados ao funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), sistema responsável por controlar a liberação de hormônios envolvidos na resposta ao estresse. Os pesquisadores apontam que o uso repetido da substância pode estar relacionado a uma adaptação do organismo diante da exposição contínua aos compostos presentes na cannabis.
O cortisol exerce diversas funções no corpo, incluindo a regulação do metabolismo, da pressão arterial e da resposta imunológica. Tanto níveis elevados quanto reduzidos de forma persistente podem estar associados a impactos na saúde.
Pesquisas anteriores já investigaram a relação entre cannabis, estresse e ansiedade, mas os efeitos variam conforme o perfil do usuário, a quantidade consumida, a concentração de THC — principal composto psicoativo da maconha — e outros fatores.
Especialistas ressaltam que são necessários mais estudos para compreender completamente os efeitos do consumo prolongado de cannabis sobre os sistemas hormonais e neurológicos. A recomendação geral é que o uso da substância seja avaliado considerando riscos individuais e possíveis impactos à saúde.

Fontes: National Institutes of Health (NIH) / National Institute on Drug Abuse (NIDA)
