Participação de Michelle na campanha de Flávio ainda depende de trégua com Carlos, Eduardo e "chihuahuas raivosos", dizem aliados
Ex-primeira-dama pretende conversar com Flávio Bolsonaro para tentar reduzir tensões familiares e políticas antes de definir uma participação mais ativa na campanha presidencial.
24/07/2026 15:25
Por Prime Rádio - A participação mais efetiva da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda depende da redução das tensões dentro da família Bolsonaro e do fim dos ataques promovidos por setores mais radicais de apoiadores nas redes sociais. Segundo aliados ouvidos pela imprensa, Michelle pretende conversar diretamente com o enteado para alinhar os próximos passos e buscar uma reaproximação.

A avaliação entre integrantes próximos à ex-primeira-dama é de que uma participação mais intensa na campanha somente ocorrerá caso haja um ambiente político mais favorável. Entre os principais obstáculos apontados estão os atritos com os irmãos de Flávio, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, além dos frequentes ataques virtuais de militantes bolsonaristas mais radicais, apelidados por aliados de Michelle de "chihuahuas raivosos".
A crise familiar ganhou grande repercussão após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais nos quais afirmou ter sido "desrespeitada", "maltratada" e "humilhada" por Flávio durante uma discussão relacionada às articulações políticas do Partido Liberal (PL) no Ceará. O desentendimento teve origem em divergências sobre alianças eleitorais no estado, especialmente em relação ao apoio a candidaturas locais.
Após a repercussão do episódio, Flávio Bolsonaro afirmou publicamente que não teve a intenção de ofender a madrasta e pediu desculpas caso suas palavras tenham causado desconforto. O senador também reiterou seu respeito pela atuação de Michelle no comando do PL Mulher e pelo papel desempenhado por ela ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados afirmam que Michelle considera importante uma conversa reservada com Flávio antes de assumir compromissos mais relevantes na campanha. O objetivo seria esclarecer pontos pendentes, reduzir desgastes internos e estabelecer condições para uma atuação conjunta durante o período eleitoral.
Além do relacionamento com Flávio, interlocutores da ex-primeira-dama avaliam que uma aproximação efetiva também depende da diminuição das críticas e ataques promovidos por perfis ligados à ala mais radical do bolsonarismo, muitos deles associados politicamente a Carlos e Eduardo Bolsonaro. Segundo essas fontes, Michelle entende que uma campanha unificada exige um ambiente de maior cooperação entre os principais integrantes do grupo político.
Apesar das divergências recentes, integrantes do PL avaliam que Michelle continua sendo um dos principais ativos eleitorais do partido, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico. Por esse motivo, dirigentes e aliados defendem uma recomposição das relações familiares e políticas para fortalecer a campanha de Flávio Bolsonaro.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre quando ocorrerá a conversa entre Michelle e Flávio nem sobre qual será o nível de participação da ex-primeira-dama na campanha presidencial.

Fontes: CNN Brasil / Deutsche Welle (DW Brasil)
