Câmeras corporais contradizem versão de PMs, e Justiça manda soltar dois jovens presos desde 2024 por tentativa de homicídio
Tribunal concluiu que não havia provas suficientes para manter a acusação após perícia indicar que o disparo que atingiu a viatura partiu da arma de um dos próprios policiais.
24/07/2026 19:06
| Atualizado há 1 Semana atrás
Por Prime Rádio - Dois jovens que estavam presos preventivamente desde 2024, acusados de tentativa de homicídio contra policiais militares, tiveram a liberdade determinada pela Justiça após a análise das imagens registradas por câmeras corporais e de laudos periciais. A decisão concluiu que não havia elementos suficientes para sustentar a acusação apresentada contra os investigados.

De acordo com a decisão judicial, uma análise técnica das gravações produzidas pelas câmeras corporais dos policiais revelou que o disparo que atingiu a viatura policial não foi efetuado pelos jovens, como sustentava a versão inicial da ocorrência. A perícia concluiu que o tiro partiu da arma de um dos próprios policiais envolvidos na ação, enfraquecendo de forma decisiva a tese acusatória.



Frame da câmera corporal mostra o visor de um celular marcando 0h40, horário que coincide com o registro temporal da gravação e foi usado para validar a sincronização das imagens — Foto: Reprodução
Com base nas provas técnicas reunidas durante a investigação, o tribunal entendeu que não subsistiam fundamentos para manter a prisão preventiva dos dois acusados. A decisão destacou a ausência de provas capazes de demonstrar que eles tenham praticado o crime de tentativa de homicídio imputado pelo Ministério Público.
A reavaliação do caso reforçou a importância das evidências periciais e das imagens captadas por câmeras corporais na reconstrução dos fatos. O material audiovisual permitiu confrontar os relatos apresentados inicialmente pelos agentes envolvidos com a dinâmica registrada durante a ocorrência, contribuindo para a conclusão de que o disparo que atingiu a viatura teve origem em arma pertencente à própria equipe policial.

Imagens das câmeras corporais registram marcas de tiros no HB20 onde estavam os quatro jovens — Foto: Reprodução
O caso também evidencia o papel das câmeras corporais como instrumento de produção de prova, oferecendo registros objetivos que podem confirmar ou afastar versões apresentadas por agentes públicos e demais envolvidos em ocorrências policiais. Estudos e diagnósticos do Ministério da Justiça apontam que esse tipo de equipamento contribui para ampliar a transparência das ações policiais e fortalecer a produção de provas em investigações.
A decisão de soltura não representa, por si só, o encerramento definitivo do processo criminal, mas reconhece que, diante do conjunto probatório atualmente disponível, não havia justificativa legal para a manutenção da prisão preventiva dos dois jovens.
Fontes: UOL Notícias – Reportagem sobre a decisão judicial e a análise das câmeras corporais / Ministério da Justiça e Segurança Pública
