Governo Lula deve adiar aplicação da Lei da Reciprocidade após novo tarifaço dos Estados Unidos
Embora mantenha a possibilidade de adotar medidas previstas na legislação, Executivo brasileiro avalia que resposta imediata pode ampliar tensões comerciais e aposta, por enquanto, na negociação diplomática.
24/07/2026 19:26
Por Prime Rádio - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve adotar uma postura de cautela diante da nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar de reiterar publicamente que dispõe de instrumentos legais para responder às medidas norte-americanas, integrantes do Executivo indicam que a aplicação da chamada Lei da Reciprocidade Comercial não deve ocorrer de forma imediata.
Nos bastidores, a avaliação é de que uma retaliação automática poderia intensificar o conflito comercial entre os dois países. A estratégia do governo brasileiro, neste momento, é priorizar o diálogo diplomático e acompanhar os impactos efetivos das novas tarifas antes de decidir por eventuais medidas de reciprocidade.
A Lei da Reciprocidade Comercial, aprovada para permitir ao Brasil responder a barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais, autoriza o governo a adotar medidas equivalentes contra países que imponham restrições às exportações brasileiras. No entanto, a legislação não determina que sua aplicação seja automática, permitindo ao Executivo avaliar o momento e a conveniência de sua utilização.
De acordo com informações divulgadas por veículos da imprensa, integrantes da equipe econômica e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços defendem uma resposta calculada. Entre os fatores considerados estão os possíveis efeitos sobre empresas brasileiras, consumidores e a inflação, além da preservação das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem defendido uma postura de prudência nas negociações. A orientação do governo é evitar uma escalada de medidas retaliatórias enquanto permanecem abertas possibilidades de diálogo entre os dois países.
Além da via diplomática, o governo também estuda ações de apoio aos setores brasileiros potencialmente mais afetados pelas novas tarifas, incluindo linhas de crédito e iniciativas voltadas à diversificação de mercados internacionais. A intenção é reduzir os impactos sobre empresas exportadoras sem ampliar o conflito comercial.
A decisão definitiva sobre uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade dependerá da evolução das negociações entre Brasília e Washington e da avaliação dos efeitos econômicos provocados pelas novas tarifas norte-americanas. Até o momento, o governo brasileiro mantém a possibilidade de recorrer aos mecanismos previstos na legislação, mas trata sua utilização como uma alternativa a ser considerada caso as negociações não avancem.
Fontes: El País / Jornal do Comércio

