Governo Trump estuda decreto sobre autismo e vacinas, segundo fonte
Casa Branca avalia medida sobre vacinas e autismo, enquanto especialistas reforçam que décadas de pesquisas não encontraram evidências de ligação entre imunizantes e o transtorno.
06/08/2026 22:22
Por Prime Rádio - O governo do presidente Donald Trump está avaliando a edição de um decreto relacionado ao tema autismo e vacinas, segundo uma fonte ouvida pela Reuters. A medida poderá ser assinada já na próxima semana, embora o conteúdo e o alcance da proposta ainda não tenham sido divulgados oficialmente. A iniciativa ocorre em meio ao interesse declarado do governo em revisar políticas sobre vacinação infantil e transtorno do espectro autista (TEA).

De acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato por se tratar de discussões internas, a iniciativa é motivada pelo interesse pessoal de Trump em adotar novas ações relacionadas ao autismo. A possibilidade de um decreto foi noticiada inicialmente pela Bloomberg News e posteriormente confirmada pela Reuters por meio de uma pessoa familiarizada com as discussões na Casa Branca. Até o momento, não há confirmação oficial sobre quando a medida será publicada nem quais serão suas determinações.
Em nota, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou que o presidente defende que os Estados Unidos tenham "o melhor calendário de vacinação infantil do mundo" e que a administração pretende conduzir suas decisões com base em "ciência de padrão ouro". O governo também sustenta que pretende responder às preocupações de pais que, segundo a Casa Branca, consideram que dúvidas sobre vacinação foram ignoradas por autoridades de saúde durante anos.
A discussão ocorre sob a liderança do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona a segurança de algumas vacinas e defende investigações sobre uma possível relação entre imunizantes e autismo. Suas posições geraram críticas de organizações médicas e científicas, que afirmam que as alegações não são sustentadas pelas evidências disponíveis. Recentemente, Kennedy também enfrentou reveses judiciais relacionados a mudanças propostas na política de vacinação e em órgãos consultivos de imunização dos Estados Unidos.
Apesar das declarações de integrantes do governo, o consenso científico permanece inalterado. Estudos envolvendo milhões de crianças, realizados ao longo de mais de duas décadas em diferentes países, não encontraram evidências de que vacinas causem autismo. Essa conclusão é compartilhada por autoridades sanitárias e instituições científicas, incluindo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a Academia Americana de Pediatria e outras organizações internacionais de saúde.
A hipótese de uma ligação entre vacinas e autismo ganhou notoriedade após a publicação, em 1998, de um estudo posteriormente considerado fraudulento e retirado pela revista científica The Lancet. Desde então, diversas pesquisas independentes analisaram o tema sem identificar relação causal entre a vacinação infantil e o desenvolvimento do transtorno do espectro autista.
O possível decreto ainda não foi apresentado oficialmente, e não está claro se a medida determinará novas pesquisas, revisões regulatórias ou alterações nas recomendações de vacinação. Também não há indicação de que as diretrizes atuais de imunização infantil sejam modificadas de forma imediata. A Casa Branca não divulgou detalhes adicionais sobre o texto em elaboração.
O debate sobre vacinação voltou ao centro das discussões nos Estados Unidos em um momento de intensa polarização política e de mudanças na condução das políticas de saúde pública. Enquanto o governo afirma buscar uma revisão baseada em evidências, especialistas alertam que declarações sem respaldo científico podem aumentar a hesitação vacinal e comprometer programas de imunização responsáveis pela prevenção de doenças infecciosas.

Fontes Utilizadas: Reuters / Bloomberg News / Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)
