Jaques Wagner não comparecerá a depoimento da PF sobre o caso Master
Senador do PT informou que exercerá o direito de permanecer em silêncio nesta fase da investigação; defesa afirma que já apresentou esclarecimentos ao STF.
06/08/2026 22:32
Por Prime Rádio - O senador Jaques Wagner (PT-BA) não comparecerá ao depoimento marcado pela Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o caso Master, apuração que investiga suspeitas de vantagens econômicas indevidas relacionadas ao Banco Master. A oitiva estava prevista para esta quinta-feira (7), após determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do parlamentar informou que ele não participará do interrogatório e exercerá o direito constitucional de não produzir provas contra si.

Jaques Wagner passou a ser investigado depois de ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho. Na ocasião, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador, por decisão do ministro André Mendonça. As investigações apuram suspeitas de que o parlamentar tenha recebido vantagens econômicas por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas supostamente ligadas ao entorno do Banco Master.
Segundo os investigadores, há indícios de uma relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema investigado. A apuração também envolve o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A PF sustenta que mensagens, documentos e movimentações financeiras analisadas durante a investigação indicariam possível recebimento de benefícios econômicos pelo senador, hipótese que é contestada pela defesa.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que o senador já apresentou esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal. Os advogados sustentam que não há elementos que comprovem a prática de crimes e classificam as acusações como infundadas. Até o momento, o parlamentar não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República nem há decisão judicial que reconheça responsabilidade penal pelos fatos investigados.
Após a operação realizada em junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado. A mudança ocorreu poucos dias depois da deflagração da ação da Polícia Federal e foi interpretada como uma medida para reduzir o impacto político das investigações sobre o Palácio do Planalto. Apesar disso, o senador permanece exercendo normalmente o mandato parlamentar e continua sendo um dos principais nomes do PT na Bahia.
Nos últimos dias, o ministro André Mendonça também retirou o sigilo de parte dos documentos da investigação, permitindo a divulgação de informações sobre as diligências realizadas pela Polícia Federal. A medida tornou públicos trechos da apuração que fundamentaram os mandados de busca e apreensão e as medidas cautelares determinadas contra o senador durante a operação.
O caso Master segue em fase de investigação. Caberá à Polícia Federal concluir o inquérito e encaminhar o resultado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, que decidirão se existem elementos suficientes para eventual oferecimento de denúncia. Até que haja decisão definitiva da Justiça, Jaques Wagner permanece investigado e é presumido inocente, conforme estabelece a Constituição Federal.

Fontes Utilizadas: CNN Brasil / VEJA / Jornal da Globo / Globoplay
