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Uso de canetas emagrecedoras entre jovens preocupa médicos e acende alerta no Brasil

Especialistas alertam que o uso sem indicação médica pode comprometer o crescimento, a formação óssea e o desenvolvimento muscular de adolescentes, além de aumentar o risco de deficiências nutricionais.

Uso de canetas emagrecedoras entre jovens preocupa médicos e acende alerta no Brasil
Uso indiscriminado de canetas emagrecedoras por jovens preocupa médicos no Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Por Prime Rádio - O uso de canetas emagrecedoras por adolescentes e jovens sem acompanhamento médico tem despertado preocupação entre endocrinologistas, pediatras e nutricionistas no Brasil. Desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em casos específicos, da obesidade, esses medicamentos vêm sendo utilizados por pessoas que buscam emagrecimento rápido, muitas vezes sem indicação clínica. Especialistas alertam que essa prática pode comprometer o crescimento, a formação dos ossos e o desenvolvimento da massa muscular durante uma fase essencial da vida.




As chamadas canetas emagrecedoras pertencem, em sua maioria, à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, grupo que inclui princípios ativos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esses medicamentos atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago, o que favorece a perda de peso quando utilizados conforme indicação médica. Entretanto, o efeito de diminuir significativamente a ingestão de alimentos pode levar adolescentes a consumir menos calorias, proteínas, vitaminas e minerais do que o necessário para o desenvolvimento saudável.


VÍDEO: O GLOBO


De acordo com especialistas, a adolescência é um período marcado por intenso crescimento físico e hormonal. Nessa fase, o organismo necessita de maior aporte nutricional para a formação da massa óssea, fortalecimento dos músculos e desenvolvimento de diversos órgãos. Uma redução prolongada na ingestão de nutrientes pode provocar perda de massa magra, deficiência de vitaminas e minerais e comprometer o pico de massa óssea, aumentando inclusive o risco de problemas futuros, como osteopenia e osteoporose.


Os médicos ressaltam que esses medicamentos não devem ser utilizados apenas por motivos estéticos. A indicação depende de uma avaliação clínica individualizada, considerando fatores como índice de massa corporal (IMC), presença de obesidade ou de doenças associadas e histórico do paciente. Quando prescritas corretamente, as canetas emagrecedoras fazem parte de um tratamento mais amplo, que inclui mudanças na alimentação, prática de atividade física e acompanhamento multiprofissional.


Outro ponto de preocupação é a crescente influência das redes sociais na popularização desses medicamentos. Vídeos e relatos de perda rápida de peso têm estimulado jovens a buscar o tratamento sem orientação médica, aumentando os riscos do uso inadequado. Além dos efeitos nutricionais, o uso indiscriminado pode provocar náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e outras reações adversas. A Anvisa também já emitiu alertas sobre eventos graves, como casos de pancreatite associados ao uso inadequado desses medicamentos, e reforçou que eles devem ser utilizados apenas sob prescrição e acompanhamento profissional.


Diante da crescente procura por esses medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) firmou parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e o Conselho Federal de Odontologia (CFO) para incentivar o uso racional e seguro das canetas emagrecedoras. A iniciativa busca orientar profissionais de saúde e conscientizar a população sobre a importância da prescrição responsável e do acompanhamento durante todo o tratamento.


Especialistas reforçam que o emagrecimento saudável depende de uma abordagem individualizada e baseada em evidências científicas. Em adolescentes, qualquer tratamento para controle de peso deve considerar não apenas a redução da gordura corporal, mas também a preservação do crescimento, do desenvolvimento físico e da saúde mental. O uso de medicamentos sem indicação médica pode trazer riscos que superam os possíveis benefícios, principalmente em uma fase de intensas transformações do organismo.


Fontes Utilizadas: Agência Brasil / Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)