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Patrimônio de Nikolas Ferreira sobe de R$ 36 mil para R$ 3,9 milhões

Declaração apresentada à Justiça Eleitoral mostra aumento nominal de cerca de 10.488% entre 2022 e 2026; imóvel financiado representa a maior parcela dos bens.

Patrimônio de Nikolas Ferreira sobe de R$ 36 mil para R$ 3,9 milhões
O deputado Nikolas Ferreira visita o ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho

Por Prime Rádio - O patrimônio declarado por Nikolas Ferreira (PL-MG) à Justiça Eleitoral passou de R$ 36.820,46, em 2022, para R$ 3.898.456,67 em 2026, segundo os dados do registro eleitoral. A diferença corresponde a um crescimento nominal de aproximadamente 10.488% em quatro anos. Considerando a correção do valor de 2022 pela inflação, os R$ 36.820,46 equivaleriam a cerca de R$ 43,5 mil atualmente, o que mantém a evolução patrimonial em aproximadamente 8.865%.



A nova declaração foi apresentada por Nikolas Ferreira no registro de candidatura para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados por Minas Gerais nas eleições de 2026. O parlamentar chegou à Câmara em 2023, após ser eleito em 2022 com cerca de 1,49 milhão de votos.

Em 2022, quando concorreu pela primeira vez ao cargo de deputado federal, Nikolas informou possuir R$ 36.820,46 em bens. A relação era composta por seis itens, entre depósitos bancários, poupança e aplicações financeiras. O maior valor individual declarado naquela ocasião era de aproximadamente R$ 15,7 mil em uma aplicação de renda fixa.

Na declaração apresentada em 2026, o número de itens aumentou para 34. A maior parcela corresponde a um imóvel residencial declarado por R$ 2.231.664,61. Segundo a descrição apresentada à Justiça Eleitoral, o imóvel foi adquirido por meio de financiamento e ainda não havia sido totalmente quitado no fim de 2025. Naquele momento, o saldo devedor informado era de R$ 1.720.620,18.

O restante dos bens, estimado em aproximadamente R$ 1,67 milhão, está distribuído entre diferentes tipos de ativos. A relação inclui aplicações de renda fixa, fundos de investimento, títulos públicos e privados, ações, saldos em contas de investimento e participações societárias. Entre os valores individuais mais elevados estão duas cotas de fundos de renda fixa de R$ 298.652,10 cada e uma conta de investimentos com R$ 271.294,36.

A comparação entre os valores declarados nas duas eleições, entretanto, precisa considerar uma diferença importante entre patrimônio bruto declarado e patrimônio líquido. O valor informado à Justiça Eleitoral representa os bens e direitos declarados pelo candidato, mas não desconta automaticamente todas as obrigações financeiras relacionadas a esses bens. No caso do imóvel de Nikolas, por exemplo, existe um saldo devedor superior a R$ 1,7 milhão.

Em manifestação divulgada pelo SBT News, a assessoria de Nikolas Ferreira afirmou que os bens foram declarados aos órgãos competentes, incluindo a Receita Federal. A defesa também contestou uma interpretação baseada exclusivamente na comparação entre os valores brutos de 2022 e 2026, destacando o financiamento do imóvel e afirmando que o parlamentar possui, além da remuneração do mandato, atividades privadas declaradas relacionadas à comercialização de cursos, livros e realização de palestras.

A evolução apresentada nos registros eleitorais, portanto, não permite, isoladamente, concluir que houve irregularidade ou determinar a origem de cada recurso utilizado na formação do patrimônio. A declaração eleitoral tem a finalidade de informar à Justiça Eleitoral os bens e direitos dos candidatos e constitui uma fotografia patrimonial no momento do registro da candidatura.

Nikolas Ferreira informou não possuir bens na eleição municipal de 2020, quando foi eleito vereador de Belo Horizonte pelo então PRTB. Dois anos depois, declarou R$ 36.820,46 ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2026, a nova declaração registra R$ 3.898.456,67.

A diferença entre os registros de 2022 e 2026 é de R$ 3.861.636,21. Em termos nominais, o patrimônio declarado atualmente equivale a aproximadamente 106 vezes o valor informado quatro anos antes. A comparação corrigida pela inflação reduz o efeito da perda do poder de compra da moeda, mas ainda revela uma variação patrimonial expressiva entre as duas declarações.


Fontes utilizadas: Tribunal Superior Eleitoral / SBT News / Diário do Centro do Mundo