André Mendonça e diretor da PF entram em rota de colisão por investigações
Desconfianças entre o ministro do STF e Andrei Rodrigues aumentaram após decisões sobre casos do INSS e Banco Master; governo tenta reduzir a tensão.
07/08/2026 22:42
Por Prime Rádio - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, atravessam um período de tensão institucional envolvendo a condução de investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o caso Banco Master. Segundo relatos publicados pela imprensa nesta semana, há desconfiança recíproca entre os dois lados sobre a condução de inquéritos que envolvem pessoas ligadas tanto ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O conflito ganhou novo capítulo na quinta-feira (6), quando os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram uma nota conjunta em defesa da direção da corporação. O documento reafirmou a confiança em Andrei Rodrigues e destacou a necessidade de preservar a independência técnica das investigações e a autonomia administrativa da PF. Os superintendentes também afirmaram que a atividade investigativa da instituição não deve se submeter a interesses políticos, ideológicos ou pessoais.
A manifestação ocorreu depois de a PF ter recorrido à Advocacia-Geral da União (AGU), no fim de julho, para questionar determinações de Mendonça relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Entre as determinações atribuídas ao ministro está a exigência de que informações da investigação fossem encaminhadas ao STF e de que eventuais mudanças na equipe responsável pelo caso fossem previamente comunicadas ao relator.
A operação também alcançou o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. No fim de julho, a Polícia Federal solicitou a abertura de três novos inquéritos relacionados às investigações. Os pedidos foram distribuídos entre ministros do STF: dois ficaram sob a relatoria de Mendonça e um foi encaminhado ao ministro Flávio Dino. Os procedimentos tramitam sob sigilo.
No gabinete de Mendonça, segundo relatos publicados nesta semana, a proximidade de Andrei Rodrigues com o presidente Lula é apontada como um dos elementos que alimentaram a desconfiança. Também teria causado questionamentos a mudança, realizada anteriormente pela PF, do delegado responsável pela investigação da Operação Sem Desconto. A corporação justificou a alteração por razões administrativas e transferiu o caso para uma área especializada em investigações envolvendo autoridades com foro nos tribunais superiores.
A desconfiança também aparece no caso Banco Master, que está sob relatoria de Mendonça. Segundo informações divulgadas pelo Canal Meio a partir de relatos do jornal O Globo, integrantes do entorno do ministro levantaram suspeitas sobre um possível vazamento de informações da investigação. Do outro lado, investigadores teriam questionado diferenças no tempo de análise de pedidos relacionados a diferentes alvos do caso. As alegações, porém, fazem parte do ambiente de desconfiança relatado nos bastidores e não constituem, por si só, prova de favorecimento político.
A crise levou o governo federal a tentar estabelecer uma interlocução entre as instituições. Na quinta-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, reuniram-se com Mendonça. Segundo relatos publicados nesta sexta-feira, ficou acertado que Wellington deverá conversar com Andrei Rodrigues para buscar condições que permitam preservar a atuação da PF sem ampliar o conflito com o relator dos inquéritos.
O governo também anunciou a intenção de ampliar o efetivo das equipes da Polícia Federal responsáveis por investigações de corrupção. A medida foi apresentada durante as tratativas com Mendonça como uma forma de reforçar as equipes e acelerar o andamento dos procedimentos. Parte do reforço deverá vir de policiais que atualmente estão em formação.
A tensão ocorre em um momento particularmente sensível, porque as investigações alcançam personagens de diferentes campos políticos. O caso do INSS envolve, entre outros investigados, pessoas próximas ao governo federal, enquanto o Banco Master também possui ramificações políticas e empresariais que atingem diferentes grupos. Por isso, a disputa sobre autonomia, compartilhamento de informações e condução dos inquéritos ganhou dimensão institucional.
Apesar das divergências, não há comprovação de que Mendonça esteja atuando para favorecer o grupo bolsonarista ou de que Andrei Rodrigues esteja trabalhando para beneficiar o governo do PT. Essas são suspeitas atribuídas aos diferentes lados do conflito, e não fatos estabelecidos. A Polícia Federal afirma defender sua independência, enquanto o governo sustenta que as investigações devem prosseguir sem interferência política.
A tentativa de mediação do Ministério da Justiça busca impedir que o impasse entre o STF e a cúpula da PF prejudique investigações consideradas relevantes. Até esta sexta-feira (7), não havia anúncio de um acordo definitivo entre Mendonça e Andrei Rodrigues. O desfecho das negociações poderá determinar como serão compartilhadas informações e como ficará a relação entre o relator e os investigadores nos casos do INSS e do Banco Master.

Fontes utilizadas: O Globo / Metrópoles / UOL / Ipolítica / g1
