Senado dos EUA aprova sanções contra a Rússia e mira países que compram energia russa
Projeto bipartidário autoriza tarifas de até 100% sobre produtos de grandes compradores de petróleo e gás russos e segue agora para análise da Câmara.
07/08/2026 22:48
Por Prime Rádio - O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) um projeto de sanções contra a Rússia, com o objetivo de ampliar a pressão econômica sobre Moscou e atingir também países que continuam comprando petróleo e gás russos. A proposta, aprovada por 86 votos a 11, recebeu apoio de parlamentares dos dois principais partidos e ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes antes de eventualmente chegar à sanção presidencial.

O texto foi aprovado como o Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026, em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, que morreu recentemente e havia liderado as negociações para a aprovação do pacote. A legislação também mantém e amplia medidas relacionadas ao Irã, além das disposições destinadas à Rússia e aos países que contribuem para a manutenção das receitas russas provenientes da exportação de energia.
Um dos principais mecanismos previstos é a autorização para que o presidente dos Estados Unidos imponha tarifas de até 100% sobre produtos importados de países que estejam entre os maiores compradores de petróleo ou gás russos. O texto aprovado restringe essa possibilidade aos cinco maiores compradores de petróleo bruto ou gás natural da Rússia e aos cinco países que contribuam para mecanismos de evasão das sanções.
A medida pode atingir importantes parceiros comerciais da Rússia, incluindo China e Índia, que estão entre os grandes compradores de energia russa. O objetivo declarado pelos defensores da proposta é reduzir as receitas que ajudam a financiar a máquina de guerra de Moscou e aumentar o custo econômico para governos que mantenham relações comerciais relevantes com o setor energético russo.
Apesar da aprovação no Senado, as tarifas não serão aplicadas automaticamente com a aprovação do projeto. A legislação estabelece uma autorização para que o presidente determine a adoção dessas medidas dentro dos parâmetros previstos no texto. Dessa forma, a aplicação efetiva dependerá da transformação do projeto em lei e de decisões posteriores do governo norte-americano.
O pacote também prevê sanções direcionadas a autoridades russas, oligarcas, familiares de pessoas sancionadas, bancos e outras instituições financeiras russas, além de empresas estrangeiras que apoiem a base industrial de defesa da Rússia. A chamada Shadow Fleet, conjunto de embarcações utilizado para transportar petróleo e contornar restrições internacionais, também aparece entre os alvos previstos pela legislação.
A votação ocorreu depois de mais de um ano de negociações entre senadores de diferentes correntes políticas. Antes da aprovação final, os parlamentares chegaram a um acordo sobre uma versão modificada do projeto, reduzindo e delimitando parte dos poderes tarifários para obter apoio político mais amplo e alinhamento com a Casa Branca.
O projeto também enfrentou resistência dentro do próprio Senado. Uma das principais críticas é que a autorização para impor tarifas elevadas poderia provocar consequências econômicas para os Estados Unidos e desencadear novas disputas comerciais. Uma tentativa de retirar os poderes tarifários concedidos ao presidente foi derrotada durante a tramitação.
A proposta agora seguirá para a Câmara dos Representantes, que deverá analisar o texto antes de qualquer eventual envio ao presidente Donald Trump. A Câmara está em recesso e, segundo a Reuters, os apoiadores da medida esperam que a análise ocorra após o retorno dos parlamentares, previsto para o fim de agosto.
A aprovação representa mais um movimento de Washington para aumentar a pressão econômica sobre a Rússia em razão da guerra na Ucrânia. No entanto, o projeto ainda não é uma lei em vigor. Até que seja aprovado pela Câmara e concluído o processo legislativo, as novas sanções e tarifas previstas no texto não terão aplicação automática.

Fontes utilizadas: Reuters / Senado dos EUA / PBS NewsHour
