Houthis atacam Marib novamente enquanto ONU alerta para risco de nova guerra no Iêmen
Novos ataques com mísseis e drones deixaram mortos e feridos; enviado da ONU alerta que escalada pode arrastar o Iêmen para um conflito regional maior.
07/08/2026 22:53
Por Prime Rádio - Os Houthis realizaram novos ataques com mísseis balísticos e drones contra a cidade de Marib, no Iêmen, nesta sexta-feira (7), ampliando a escalada militar registrada nos últimos dias. Segundo a agência estatal SABA, citada pela Reuters, os ataques atingiram áreas residenciais e campos de deslocados, deixando duas pessoas mortas e 14 feridas.

O grupo, que é alinhado ao Irã, afirmou que seus ataques tinham como alvos forças apoiadas pela Arábia Saudita, depósitos, veículos e equipamentos militares no campo de Sahn al-Jinn, em Marib. As alegações foram divulgadas pelos próprios Houthis e não puderam ser verificadas de forma independente pela Reuters.
A ofensiva desta sexta-feira ocorreu um dia depois de ataques contra instalações militares nas províncias de Marib e Hadramout. Segundo fontes do governo iemenita ouvidas pela Reuters, pelo menos 30 soldados das forças governamentais morreram nos ataques de quinta-feira (6). O número de vítimas ainda poderia aumentar, de acordo com essas fontes.
Os Houthis assumiram a responsabilidade pelos ataques de quinta-feira e disseram ter utilizado mísseis balísticos e drones contra concentrações militares que, segundo o grupo, seriam ligadas à Arábia Saudita. A organização também afirmou que destruiu acampamentos militares, depósitos de armas e veículos, mas a Reuters informou que não conseguiu verificar essas declarações.
A escalada ocorre em um momento de crescente tensão entre os Houthis, o governo iemenita internacionalmente reconhecido e a Arábia Saudita. Riad apoia militarmente o governo do Iêmen desde 2015, quando liderou uma coalizão contra os Houthis, que haviam tomado a capital, Sanaa, em 2014.
Marib possui importância estratégica por sua localização e por suas instalações de energia. A província também abriga grande número de pessoas deslocadas pelo conflito. Os ataques recentes aumentam a preocupação com a segurança de civis em uma região que já sofreu intensos combates durante a guerra.
Além da violência em terra, a situação também envolve o tráfego marítimo na região. O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou nesta sexta-feira que os novos ataques em Marib e Hadramout, somados à retomada de ataques contra a navegação comercial no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, colocaram o país diante de seu maior risco de um novo conflito de larga escala desde a trégua de abril de 2022.
Grundberg pediu que todas as partes exerçam o máximo de contenção e retomem negociações sob mediação das Nações Unidas. Segundo o enviado, a atual violência pode fazer com que o Iêmen seja arrastado ainda mais para uma confrontação regional de maiores proporções.
A avaliação representa uma mudança significativa em relação ao período de relativa redução das hostilidades que se seguiu à trégua de 2022. Em declarações anteriores deste ano, Grundberg já havia advertido que o país permanecia vulnerável aos efeitos das tensões regionais e defendido a preservação do espaço para um processo político conduzido sob os auspícios da ONU.
A nova escalada também ocorre após os Houthis anunciarem, no mês passado, um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, medida que o grupo justificou alegando a existência de um cerco saudita ao Iêmen. Riad rejeita essa acusação. A decisão elevou as preocupações sobre possíveis impactos na navegação comercial no Mar Vermelho.
Até o momento, as informações sobre os alvos militares e a extensão dos danos reivindicados pelos Houthis permanecem sem verificação independente. Já as mortes e feridos registrados em Marib foram atribuídos por autoridades locais às novas ofensivas, enquanto a escalada geral foi confirmada por diferentes relatos recentes.
A ONU agora tenta evitar que a sequência de ataques provoque uma nova rodada de guerra em larga escala. Para Grundberg, a prioridade é interromper as ações que possam gerar retaliações militares e criar condições para o retorno das negociações entre as partes.
Fontes consultadas: Reuters / Escritório do Enviado Especial da ONU para o Iêmen
