Irã diz estar “muito perto” de acordo com Omã para criar rotas temporárias no Estreito de Ormuz
Teerã afirma que negociações avançaram para estabelecer corredores de navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz, mas ressalta que um eventual acordo com Omã não significa, por si só, a reabertura completa da passagem marítima
08/08/2026 13:27
| Atualizado há 1 Semana atrás
Por Prime Rádio - O Irã afirmou neste sábado (8) que está “muito perto” de concluir um acordo com Omã para estabelecer uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz. A proposta prevê mecanismos temporários para permitir o trânsito de embarcações comerciais em meio às restrições que afetam uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo.
A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, segundo a agência Reuters. O governo iraniano, entretanto, deixou claro que um eventual entendimento com Omã não seria suficiente, isoladamente, para determinar a reabertura plena do estreito.
A questão permanece vinculada a negociações mais amplas envolvendo o Irã e os Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela Reuters, Teerã condiciona a retomada mais ampla da passagem marítima ao cumprimento de outras exigências dirigidas a Washington.
Acordo prevê corredores temporários
As negociações entre Irã e Omã envolvem a criação de uma estrutura para organizar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz. A proposta busca estabelecer rotas temporárias que permitam a passagem de embarcações comerciais enquanto permanecem as atuais tensões na região.
O estreito separa o Irã da Península Arábica e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. A via marítima é considerada um dos principais pontos de estrangulamento do comércio mundial de energia.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados passaram pelo Estreito de Ormuz em 2025, volume equivalente a aproximadamente 25% do comércio marítimo mundial de petróleo. A organização também estima que quase 20% do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) transite pela região.
Por isso, qualquer alteração significativa no fluxo de navios pelo estreito pode repercutir nos preços internacionais de petróleo, gás e frete marítimo.
Irã diz que acordo com Omã não basta para reabrir o estreito
Apesar do avanço nas conversas com Omã, o governo iraniano afirmou que a implementação de um novo sistema de trânsito não significa que o Estreito de Ormuz será imediatamente reaberto em condições normais.
Segundo a Reuters, Teerã vincula a retomada da navegação a outras condições relacionadas aos Estados Unidos. Entre as exigências mencionadas estão o fim de ameaças e sanções, além de questões relacionadas a compensações e às ações militares ocorridas durante o conflito.
A Guarda Revolucionária Islâmica também indicou que a abertura mais ampla da passagem dependeria de medidas adicionais por parte de Washington.
Assim, o entendimento em negociação entre Irã e Omã deve ser interpretado como uma possível etapa para restabelecer parte do tráfego marítimo, e não como um anúncio definitivo de normalização da navegação.

Estados Unidos ainda precisam definir resposta
A posição de Washington permanece um dos principais fatores para determinar os próximos passos.
Um funcionário dos Estados Unidos disse à Reuters na sexta-feira (7) que havia progresso nas negociações entre Irã e Omã e que um acordo poderia ser anunciado em breve. Segundo o funcionário, caso o entendimento seja concluído e implementado, os Estados Unidos pretendem suspender o bloqueio de portos iranianos, mas as medidas americanas continuariam condicionadas ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo Irã.
A declaração indica que Washington acompanha as negociações, mas não representa, por si só, uma confirmação de que os Estados Unidos aceitaram todas as condições apresentadas por Teerã.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima relativamente estreita localizada entre o Irã e Omã. No ponto mais estreito, possui cerca de 54 quilômetros de largura, enquanto os canais de navegação destinados ao tráfego de entrada e saída têm aproximadamente 3,7 quilômetros cada.
Sua importância está relacionada principalmente ao transporte de energia produzido nos países do Golfo.
A IEA estima que aproximadamente 80% do petróleo que passa pelo estreito tenha como destino países asiáticos. China e Índia estão entre os principais compradores. No caso do gás natural liquefeito, Qatar e Emirados Árabes Unidos dependem fortemente da passagem para levar seus produtos aos mercados internacionais.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) também aponta que aproximadamente 20% do comércio mundial de GNL passou pelo Estreito de Ormuz em 2024.
Possível impacto sobre petróleo e comércio internacional
Uma eventual normalização do tráfego poderia reduzir parte das incertezas que atualmente afetam o transporte marítimo e os mercados de energia.
Por outro lado, enquanto não houver um acordo definitivo e sua efetiva implementação, empresas de navegação e operadores de energia permanecem diante de riscos relacionados à segurança da região.
A própria IEA destaca que alternativas para transportar petróleo para fora do Golfo são limitadas. Existem algumas rotas por oleodutos capazes de redirecionar parte do fluxo, mas elas não possuem capacidade suficiente para substituir integralmente o volume normalmente transportado pelo Estreito de Ormuz.
Negociações ainda não representam reabertura definitiva
Até o momento, a informação divulgada pelo governo iraniano indica avanço nas negociações com Omã para uma estrutura temporária de navegação. O ponto central, porém, continua sendo a definição das condições políticas mais amplas envolvendo Irã e Estados Unidos.
A Reuters informou neste sábado que Teerã considera o entendimento com Omã insuficiente, por si só, para reabrir completamente o Estreito de Ormuz.
Portanto, embora a possibilidade de criação de corredores temporários represente um avanço nas negociações, ainda não há confirmação de uma retomada plena e permanente do tráfego marítimo pelo estreito.
Fontes: Reuters / Agência Internacional de Energia (IEA) / Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA)

