Pezeshkian diz que iranianos apoiarão decisões da liderança enquanto Irã se aproxima de acordo com Omã sobre Estreito de Ormuz
Presidente iraniano afirmou que a população permanecerá ao lado da liderança do país; chanceler Abbas Araghchi diz que Teerã e Mascate estão “muito perto” de um acordo sobre uma nova rota marítima, mas a eventual abertura do estreito depende de outras condições
08/08/2026 13:47
Por Prime Rádio - O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (8) que os iranianos apoiarão “até o fim” qualquer decisão tomada pela liderança do país, em meio às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz e às negociações para estabelecer uma nova rota de navegação na região.
Segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana e reproduzidas pela Reuters, Pezeshkian declarou que os iranianos permanecerão ao lado da liderança mesmo diante da possibilidade de novos confrontos. A declaração ocorre em um momento de forte tensão regional e de negociações diplomáticas envolvendo Irã, Omã e Estados Unidos.
“Até o fim” foi a expressão utilizada para descrever a disposição atribuída à população iraniana de apoiar as decisões da liderança. Pezeshkian também afirmou que os iranianos não teriam medo de lutar, segundo os relatos divulgados neste sábado.
Irã e Omã estão próximos de acordo sobre nova rota
Paralelamente às declarações de Pezeshkian, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã e Omã estão “muito perto” de chegar a um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz.
De acordo com Araghchi, os dois países discutem uma rota marítima temporária enquanto questões técnicas e jurídicas relacionadas a uma solução permanente são analisadas. O chanceler, no entanto, deixou claro que um eventual entendimento com Omã não seria suficiente, por si só, para determinar a reabertura completa do estreito.
A Reuters informou que, segundo Araghchi, a reabertura da passagem dependeria também de outras condições, incluindo questões relacionadas ao que Teerã considera violações cometidas pelos Estados Unidos e à necessidade de compensação ao Irã.
Negociações não significam reabertura imediata
A distinção é relevante porque o Estreito de Ormuz permanece no centro das negociações internacionais. O entendimento discutido entre Irã e Omã trata principalmente das condições e do trajeto de navegação, enquanto a retomada plena do fluxo marítimo depende de outras decisões políticas e de segurança.
A posição também evidencia divergências dentro da estrutura de poder iraniana. Enquanto o governo de Pezeshkian e o Ministério das Relações Exteriores participam das negociações, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou neste sábado que a reabertura do Estreito de Ormuz não depende das negociações com Omã. Segundo a organização, a decisão está vinculada às condições e aos mecanismos estabelecidos pelo próprio Irã.
A manifestação indica que ainda não existe uma confirmação de que o acordo diplomático em discussão resulte automaticamente na normalização do tráfego marítimo.
Importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo e gás. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, tornando qualquer interrupção no tráfego potencialmente relevante para os mercados de energia.
A dimensão econômica da crise já é acompanhada de perto pelo mercado internacional. Dados publicados pela Reuters indicaram que o tráfego de embarcações pelo estreito caiu significativamente durante a semana, enquanto investidores e empresas acompanham as negociações entre Irã e Omã.
A possibilidade de uma solução diplomática para a circulação de navios também tem impacto sobre os preços internacionais do petróleo. Na sexta-feira (7), o petróleo Brent subiu mais de US$ 1 por barril em meio às incertezas relacionadas às negociações e à possibilidade de reabertura da passagem.
Estados Unidos acompanham negociações
As conversas entre Irã e Omã ocorrem paralelamente a uma tentativa mais ampla de encontrar uma saída diplomática para o conflito e para a crise envolvendo o Estreito de Ormuz.
Um funcionário do governo dos Estados Unidos disse à Reuters na sexta-feira (7) que havia progresso nas conversas entre Irã e Omã e que Washington esperava um acordo em breve.
Entretanto, a existência de avanços diplomáticos não significa que todos os pontos tenham sido resolvidos. O próprio governo iraniano mantém condições adicionais para a reabertura da passagem, enquanto a Guarda Revolucionária afirma que a decisão final não está condicionada apenas às negociações com Omã.
O que pode acontecer agora
O próximo passo é a conclusão dos detalhes do possível acordo entre Irã e Omã. As negociações envolvem tanto a definição da rota marítima quanto questões técnicas e jurídicas.
Caso um entendimento seja formalizado, ainda será necessário determinar como ele será implementado e quais serão as condições para a retomada efetiva do tráfego comercial. A situação permanece, portanto, em fase de negociação, sem confirmação de uma reabertura integral e imediata do Estreito de Ormuz.
As declarações de Pezeshkian também mostram que o governo iraniano procura transmitir uma mensagem de unidade interna diante da pressão externa. Ao mesmo tempo, as manifestações divergentes entre autoridades civis e a Guarda Revolucionária demonstram que a questão da reabertura do estreito continua vinculada a decisões políticas, militares e de segurança mais amplas.
Fontes: Reuters / Estadão Conteúdo / InfoMoney

