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Exército do Iêmen lança operação contra os Houthis após ataques que deixaram dezenas de mortos

Forças do governo iemenita afirmam ter iniciado ofensiva em várias frentes contra posições e equipamentos dos rebeldes; escalada ocorre após ataques contra bases militares nas províncias de Marib e Hadramaut

Exército do Iêmen lança operação contra os Houthis após ataques que deixaram dezenas de mortos
Prime Rádio - com auxílio da I.A

Por Prime Rádio - O Exército do Iêmen anunciou neste sábado (8) o início de uma operação militar contra forças houthis em diferentes pontos das linhas de contato no país. A ação foi apresentada como resposta aos ataques realizados pelo movimento rebelde contra instalações militares nas províncias de Marib e Hadramaut, no leste do Iêmen.



Segundo o porta-voz do Exército iemenita, coronel Majed al-Nuzaili, as forças governamentais realizaram operações contra integrantes e equipamentos militares dos Houthis em múltiplas frentes e eixos. Até o momento, porém, as autoridades não divulgaram um balanço detalhado dos danos provocados pela operação nem especificaram todos os locais atingidos.

A ofensiva ocorre dois dias depois de uma série de ataques houthis contra forças alinhadas ao governo iemenita. Os rebeldes utilizaram mísseis e drones em ataques contra acampamentos militares nas províncias de Marib e Hadramaut. Segundo informações divulgadas por fontes militares, os ataques deixaram dezenas de integrantes das forças governamentais mortos, embora os números tenham variado entre as diferentes fontes.

Escalada rompe período de relativa estabilidade

A nova sequência de confrontos representa uma importante escalada na guerra civil do Iêmen. As principais linhas de frente entre os Houthis e as forças ligadas ao governo permaneceram relativamente estáveis desde a trégua de 2022, embora o conflito nunca tenha sido formalmente encerrado.

Os Houthis, também conhecidos como Ansar Allah, controlam grande parte do norte do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa. O grupo é apoiado pelo Irã e mantém uma estrutura militar própria. Do outro lado está o governo reconhecido internacionalmente, representado pelo Conselho de Liderança Presidencial, que conta com o apoio da Arábia Saudita.

A guerra civil teve início na atual configuração em 2014, quando os Houthis tomaram Sanaa. Em 2015, a Arábia Saudita liderou uma coalizão militar que interveio no conflito em apoio ao governo iemenita. Desde então, o país passou por anos de combates, ataques aéreos, crises humanitárias e disputas entre diferentes grupos armados.

Ataques houthis atingiram forças apoiadas pela Arábia Saudita

A ofensiva anunciada pelo Exército iemenita ocorre após um dos episódios mais violentos registrados no país nos últimos anos. Segundo fontes militares citadas por veículos internacionais, ataques realizados pelos Houthis em 6 de agosto atingiram forças governamentais em Marib e Hadramaut.

Uma fonte militar informou que pelo menos 58 integrantes das forças governamentais foram mortos nos ataques, enquanto outras reportagens apresentaram números inferiores. Por causa da divergência entre os balanços divulgados, o número exato de vítimas ainda deve ser tratado com cautela.

Os Houthis reivindicaram os ataques e afirmaram ter utilizado mísseis balísticos e drones contra posições militares que, segundo o grupo, estavam ligadas às forças apoiadas pela Arábia Saudita. A organização também afirmou ter provocado grandes perdas entre os adversários, mas essas alegações não puderam ser verificadas de forma independente.



Conflito iemenita ganha dimensão regional

A nova escalada ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio. Nos últimos meses, os Houthis ampliaram sua atuação relacionada ao conflito regional e voltaram a realizar ataques contra interesses associados à Arábia Saudita.

A localização estratégica do Iêmen, próximo ao estreito de Bab el-Mandeb e às principais rotas marítimas que conectam o mar Vermelho ao oceano Índico, faz com que a instabilidade no país tenha consequências que ultrapassam suas fronteiras.

Os Houthis também vêm sendo acompanhados de perto por causa de sua capacidade de lançar mísseis e drones contra alvos em países vizinhos e contra embarcações na região. A escalada atual, portanto, ocorre em um ambiente regional já marcado pelo confronto entre Irã e seus adversários.
Governo acusa Houthis de ampliar o conflito

Ao anunciar a operação militar, o porta-voz do Exército iemenita acusou os Houthis de tentar envolver o Iêmen em conflitos regionais e de agir de acordo com interesses externos.

A declaração reflete a posição do governo iemenita, que considera o movimento apoiado pelo Irã uma ameaça à soberania e à estabilidade do país. Os Houthis, por sua vez, afirmam atuar contra o que classificam como interferência estrangeira e defendem sua própria agenda política e militar.

Até o momento, não há indicação de que a nova operação tenha resultado em uma mudança significativa no controle territorial. Também não foram divulgados dados oficiais suficientes para determinar a extensão dos danos provocados pelos combates deste sábado.

Risco de retomada de uma guerra em larga escala

A retomada dos combates preocupa porque ocorre após anos de redução relativa da intensidade das principais frentes da guerra civil. Embora a trégua de 2022 não tenha encerrado formalmente o conflito, ela contribuiu para reduzir significativamente os confrontos em grande escala.

Uma nova escalada prolongada poderia agravar a situação humanitária de um país que já enfrenta graves problemas econômicos e sociais decorrentes de mais de uma década de instabilidade.

Por enquanto, o Exército iemenita confirmou apenas que a operação contra posições e equipamentos houthis foi realizada em diferentes frentes. Não foram divulgados, até o momento, números oficiais sobre mortos ou feridos entre os Houthis nem um balanço completo dos danos materiais.

A situação permanece em evolução, e novos dados poderão alterar o quadro apresentado pelas autoridades iemenitas e pelas fontes internacionais.


Fontes: Anadolu Agency / Al Jazeera / Parlamento do Reino Unido