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Produção de açúcar nos EUA deve cair, enquanto importações devem crescer

USDA estima 8,95 milhões de toneladas curtas na próxima safra, menor nível desde 2019/20, aumentando a necessidade de compras externas

Produção de açúcar nos EUA deve cair, enquanto importações devem crescer
Açúcar granulado - 16/12/2018 (Foto: REUTERS/Emmanuel Foudrot)

Por Prime Diário - A produção de açúcar nos Estados Unidos na safra que terá início em outubro deverá recuar para 8,95 milhões de toneladas curtas, segundo uma nova estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O volume representa o menor nível projetado para o país desde a safra 2019/20 e sinaliza uma oferta doméstica mais restrita no próximo ciclo.




A redução ocorre em um mercado no qual os Estados Unidos dependem também de fornecedores externos para complementar a disponibilidade doméstica. Em suas projeções recentes, o USDA apontou que as importações continuarão desempenhando papel relevante no equilíbrio entre oferta, consumo e estoques, especialmente diante da perspectiva de menor produção interna.


A estimativa mais recente também reforça uma tendência observada nos relatórios anteriores do governo americano. Em maio, o Serviço de Pesquisa Econômica do USDA havia projetado a produção de açúcar do país em 8,81 milhões de toneladas curtas de valor bruto para o ano fiscal de 2026/27, então o menor volume desde 2019/20. A projeção considerava reduções tanto na produção de açúcar de beterraba quanto na de cana.


Produção de beterraba e cana


A fabricação de açúcar nos Estados Unidos está concentrada principalmente em duas matérias-primas: beterraba e cana-de-açúcar. A perspectiva de uma colheita menor de beterraba é um dos fatores que pressionam a produção total.


No relatório de maio, o USDA estimava 4,722 milhões de toneladas curtas de açúcar de beterraba para 2026/27, cerca de 300 mil toneladas abaixo do ciclo anterior e no menor patamar desde 2019/20. Para o açúcar de cana, a previsão era de 4,088 milhões de toneladas curtas, também abaixo da temporada anterior.


O órgão federal relacionou parte da redução da produção de beterraba à menor área plantada. Dados do Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS) indicavam 1,063 milhão de acres plantados, enquanto a área colhida projetada ficaria em aproximadamente 1,039 milhão de acres, a menor desde 2019/20. O USDA também considerava uma produtividade de 30,21 toneladas por acre.


Importações ganham importância


Com uma produção doméstica menor, as importações tendem a assumir maior importância para manter o abastecimento do mercado americano. O USDA informou em julho que a oferta total de açúcar dos EUA para 2026/27 estava projetada em 14,268 milhões de toneladas curtas de valor bruto. Na mesma estimativa, as importações provenientes do México foram fixadas em 1,346 milhão de toneladas curtas, dentro das regras comerciais existentes entre os dois países.


O México ocupa posição estratégica nesse mercado. Segundo o USDA, o volume destinado aos Estados Unidos é determinado pela chamada fórmula de necessidades prevista nos acordos de suspensão firmados entre os dois países. A projeção para as compras mexicanas foi calculada de modo a contribuir para uma relação entre estoques e consumo de 13,5% no mercado americano.


As projeções de longo prazo do próprio USDA também apontam para a continuidade da relevância das compras externas. O órgão estima que as importações de açúcar mexicano tendam a ficar próximas de 1 milhão de toneladas curtas por ano, em média, ao longo da próxima década, embora os volumes possam variar de acordo com a situação da produção e da demanda nos Estados Unidos.


Impacto sobre o mercado


A combinação de menor produção interna e maior necessidade de importação pode alterar o equilíbrio do mercado americano de açúcar. O nível de estoques é um dos principais indicadores acompanhados pelos agentes do setor, porque determina quanto da demanda poderá ser atendido sem depender de novas compras externas.


Na projeção de julho, o USDA estimou o consumo de açúcar dos Estados Unidos em 12,571 milhões de toneladas curtas para 2026/27, enquanto os estoques finais foram projetados em 1,697 milhão de toneladas. A relação entre estoques e consumo, segundo o relatório, seria de 13,5%.


A menor oferta doméstica não significa, por si só, que haverá escassez de açúcar no país. A disponibilidade final dependerá da combinação entre produção, estoques iniciais, importações e consumo ao longo da temporada. O aumento das compras externas, portanto, funciona como um dos mecanismos de ajuste para compensar a redução da produção nacional.


O cenário também merece atenção no mercado internacional, especialmente entre países exportadores que disputam espaço no abastecimento americano. A necessidade adicional de importação pode modificar os fluxos comerciais e aumentar a importância de fornecedores com acesso ao mercado dos Estados Unidos, embora o efeito sobre preços dependa de fatores adicionais, como produção global, estoques, demanda e condições comerciais.


A estimativa de 8,95 milhões de toneladas curtas reforça, assim, a perspectiva de uma safra americana mais apertada. O resultado final ainda dependerá da evolução das lavouras, das condições climáticas e das revisões que normalmente são feitas pelo USDA à medida que novas informações ficam disponíveis.


Fontes: USDA