Trump encaminha acordo nuclear com a Arábia Saudita ao Congresso e condiciona pacto ao reconhecimento de Israel
Acordo de cooperação nuclear civil prevê parceria de longo prazo entre Washington e Riad; Trump afirma que a implementação dependerá da normalização das relações entre sauditas e israelenses
25/08/2026 21:56
Por Prime Diário - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou ao Congresso americano uma proposta de acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita. O pacto, negociado entre Washington e Riad, estabelece uma parceria de longo prazo para o desenvolvimento da energia nuclear no reino e agora passa por análise do Legislativo dos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela Reuters nesta terça-feira (25), o acordo tem duração prevista de 30 anos e permitiria que empresas norte-americanas participassem da construção de instalações nucleares civis na Arábia Saudita. Entre as companhias que podem se beneficiar estão a Westinghouse, a Cameco e a Brookfield Asset Management.
Apesar do encaminhamento ao Congresso, Trump estabeleceu uma condição política para a entrada do acordo em vigor: a Arábia Saudita deverá normalizar suas relações com Israel e aderir aos Acordos de Abraão, mecanismo diplomático promovido pelos Estados Unidos para estabelecer e ampliar relações entre Israel e países árabes.
A exigência não é nova. Em julho, Trump já havia declarado que o acordo nuclear não avançaria caso Riad não estabelecesse relações diplomáticas com Israel. A Arábia Saudita, contudo, mantém uma posição segundo a qual o reconhecimento de Israel está ligado à existência de um caminho claro para a criação de um Estado palestino.
Acordo prevê cooperação nuclear civil
O objetivo formal do pacto é ampliar a cooperação entre os dois países no setor de energia nuclear para fins civis. A Casa Branca já havia anunciado, em 2025, que Estados Unidos e Arábia Saudita haviam concluído negociações para uma parceria de longo prazo na área nuclear, com a previsão de participação de empresas americanas e a promessa de que a cooperação seguiria padrões de não proliferação.
A proposta atual, segundo a Reuters, permitiria a exportação de tecnologia nuclear civil norte-americana para a Arábia Saudita, incluindo a possibilidade de construção de reatores AP1000. O acordo também prevê estudos relacionados à utilização de tecnologia nuclear e ao desenvolvimento da infraestrutura energética saudita.
Um dos principais pontos de debate é o tratamento dado ao enriquecimento de urânio e ao reprocessamento de combustível nuclear. Críticos do acordo afirmam que a ausência de restrições mais rigorosas nessas áreas pode aumentar os riscos de proliferação nuclear. Medidas consideradas mais restritivas foram incluídas em um acordo semelhante firmado pelos Estados Unidos com os Emirados Árabes Unidos em 2009.
A administração Trump, por sua vez, sustenta que o acordo contém as salvaguardas de não proliferação exigidas pela legislação norte-americana.
Congresso terá prazo para analisar o pacto
Com o envio do acordo ao Congresso, começa o processo de revisão previsto pela legislação norte-americana para acordos de cooperação nuclear. De acordo com a Reuters, os parlamentares terão 90 dias de sessão para analisar o documento. Caso o Congresso não rejeite formalmente o acordo dentro do procedimento previsto, ele poderá avançar.
Uma eventual rejeição, porém, poderia provocar uma disputa política com a Casa Branca. Trump mantém o poder de veto sobre uma resolução de rejeição, o que exigiria uma maioria de dois terços no Congresso para ser derrubado.
O acordo já enfrenta resistência de parlamentares e especialistas em não proliferação. As preocupações estão concentradas principalmente na possibilidade de a Arábia Saudita obter capacidade para enriquecer urânio e no precedente que isso poderia criar em uma região marcada por disputas estratégicas e pelo histórico programa nuclear iraniano.
Reconhecimento de Israel é principal obstáculo político
A vinculação entre o acordo nuclear e a normalização das relações entre Arábia Saudita e Israel acrescenta uma dimensão diplomática ao processo.
Riad ainda não reconheceu Israel e tem condicionado a normalização a avanços relacionados à questão palestina. As negociações para uma aproximação entre sauditas e israelenses ganharam força nos últimos anos, mas foram prejudicadas pela guerra iniciada após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023 e pela continuidade da crise envolvendo os palestinos.
Para Washington, uma eventual normalização entre Arábia Saudita e Israel representaria um importante avanço diplomático no Oriente Médio. Para Riad, entretanto, o reconhecimento de Israel continua associado à obtenção de garantias e a uma perspectiva concreta para a questão palestina.
Dessa forma, embora o acordo nuclear tenha sido formalmente encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, sua implementação permanece condicionada não apenas à tramitação legislativa, mas também à evolução das negociações diplomáticas entre Arábia Saudita e Israel.
Fontes: Reuters; Casa Branca dos Estados Unidos.

