António Guterres condena entrada de Israel em complexo da ONU em Jerusalém Oriental
Secretário-geral das Nações Unidas afirmou que instalações da UNRWA são protegidas contra interferências; cerca de 20 funcionários estavam no local e foram autorizados a sair
25/08/2026 23:12
Por Prime Diário - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou nesta terça-feira (25) a entrada de autoridades israelenses em um centro de treinamento administrado pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), em Jerusalém Oriental.

Segundo o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, o secretário-geral afirmou estar “profundamente alarmado” com o episódio. A ONU considera o centro e outras instalações da UNRWA como propriedades das Nações Unidas, sujeitas às regras internacionais relativas à inviolabilidade de suas instalações.
Cerca de 20 funcionários da UNRWA estavam no complexo no momento da entrada, descrita pela ONU como não autorizada. De acordo com Dujarric, os funcionários foram posteriormente autorizados a deixar o local.
Guterres pediu ao governo israelense que interrompa imediatamente qualquer interferência nas instalações da UNRWA, deixe e devolva as unidades afetadas às Nações Unidas e adote medidas para impedir novas interferências ou danos aos locais.
O secretário-geral também destacou que a ocupação do centro pode afetar atividades de formação profissional destinadas a jovens palestinos. A UNRWA presta serviços de assistência, educação e outros atendimentos a refugiados palestinos em diferentes áreas do Oriente Médio.
Histórico de tensão entre Israel e UNRWA
O episódio ocorre em meio a uma escalada das tensões entre Israel e a UNRWA. Em janeiro de 2026, autoridades israelenses assumiram o controle de um complexo da agência no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental. Em maio, a ONU condenou também a decisão israelense de estabelecer instalações militares no complexo, classificando a medida como uma violação da inviolabilidade das instalações das Nações Unidas.
Em julho, Guterres voltou a criticar as restrições impostas à agência nos Territórios Palestinos Ocupados. Na ocasião, afirmou que as instalações da ONU são invioláveis e pediu respeito ao direito internacional.
A UNRWA também enfrenta questionamentos relacionados à atuação de alguns de seus funcionários. Em agosto de 2024, uma investigação do Escritório de Serviços de Supervisão Interna da ONU examinou alegações de participação de funcionários da agência nos ataques de 7 de outubro de 2023. A agência informou, à época, que havia encerrado os contratos dos funcionários envolvidos nas alegações enquanto a investigação era realizada.
Mais recentemente, em junho de 2026, a UNRWA anunciou a demissão de 70 funcionários em Gaza por razões relacionadas à segurança de suas operações. A agência afirmou que as medidas não constituíam uma validação das acusações apresentadas contra os funcionários e reiterou a necessidade de proteção de seus trabalhadores e instalações.
Até o momento, a declaração divulgada pelo porta-voz de Guterres concentra-se na entrada e na permanência de autoridades israelenses no complexo da UNRWA e no pedido para que as instalações sejam devolvidas às Nações Unidas.

Fontes: Nações Unidas/ONU / Jovem Pan
