André Mendonça diz que salário do STF não deve ser visto como caminho para enriquecer
Ministro afirmou que um magistrado não deve ter como objetivo ficar rico com a carreira; subsídio mensal de um integrante do Supremo é de R$ 46.366,19
26/08/2026 16:37
Por Prime Rádio - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou que a magistratura não deve ser encarada como um caminho para o enriquecimento.
Segundo ele, apesar da remuneração elevada em comparação com a renda da maioria dos brasileiros, o salário de um integrante da Corte não proporciona uma vida sem preocupações financeiras.

A declaração foi feita em 21 de agosto, durante o 5º Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado em São Paulo. Mendonça afirmou que um ministro ou juiz não deve ter a pretensão de ficar rico e defendeu que os magistrados mantenham controle sobre as despesas.
“A gente tem que controlar as despesas no dia a dia”, afirmou o ministro, segundo relatos publicados sobre o evento. Mendonça também classificou os integrantes da magistratura como parte de uma classe privilegiada, mas disse que isso não significa deixar de se preocupar com as contas.
Quanto ganha um ministro do STF
O subsídio mensal de um ministro do Supremo Tribunal Federal é atualmente de R$ 46.366,19. O valor corresponde ao teto constitucional do funcionalismo público e está em vigor desde fevereiro de 2025, após a implementação do reajuste escalonado previsto na Lei nº 14.520/2023.
O valor de R$ 46.366,19 corresponde ao subsídio-base, e não necessariamente ao total que pode aparecer nos registros de pagamentos. A remuneração efetivamente recebida pode variar em razão de descontos e de parcelas de natureza indenizatória previstas na legislação.
Em março de 2026, o próprio STF reafirmou o valor de R$ 46.366,19 como teto constitucional e estabeleceu regras para a remuneração e o pagamento de verbas indenizatórias de integrantes da magistratura e do Ministério Público.
Rendimentos podem variar
Os valores registrados nos contracheques podem ser diferentes do subsídio nominal. Imposto de Renda, contribuição previdenciária e outras deduções podem reduzir o montante líquido recebido. Por outro lado, determinadas parcelas indenizatórias previstas em lei possuem tratamento específico em relação ao teto constitucional.
Dados do Portal da Transparência do STF citados pelo UOL mostram que os rendimentos líquidos de André Mendonça oscilaram entre R$ 18.881,92 e R$ 43.028,21 entre janeiro e julho de 2026. A variação decorre da composição dos pagamentos e dos descontos registrados em cada mês.
Em julho, por exemplo, outro levantamento publicado com base nos dados de transparência do tribunal apontou remuneração bruta de R$ 57.957,14 e líquida de R$ 30.473,47 para Mendonça. Esses valores reforçam a diferença entre o subsídio mensal fixado para o cargo e o total efetivamente registrado em determinados meses.
Contexto da declaração
Além de falar sobre dinheiro e carreira, Mendonça relatou dificuldades pessoais relacionadas ao exercício do cargo no Supremo. Segundo o ministro, os primeiros anos na Corte foram marcados por momentos de pressão e infelicidade e, atualmente, ele considera que o cargo envolve mais ônus e responsabilidade do que benefícios pessoais.
Mendonça foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro e tomou posse como ministro em dezembro de 2021. Desde então, integra a composição da Corte responsável pelo julgamento de questões constitucionais e processos de grande repercussão nacional.
A fala sobre remuneração ocorre em um contexto de discussões recentes no próprio STF sobre os limites remuneratórios do Judiciário. Em 2026, a Corte reafirmou regras para impedir pagamentos que ultrapassem os parâmetros estabelecidos para o teto constitucional e determinou maior transparência sobre valores pagos a magistrados e integrantes do Ministério Público.
Fontes: Supremo Tribunal Federal (STF); UOL; Correio Braziliense.
