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Advogado de Lulinha pede à PF investigação sobre vazamentos e cita Flávio Bolsonaro e integrantes de campanha

Defesa de Fábio Luís Lula da Silva quer identificar quem teve acesso a documentos sigilosos e afirma que menção a oposicionistas não representa acusação de autoria dos vazamentos

Advogado de Lulinha pede à PF investigação sobre vazamentos e cita Flávio Bolsonaro e integrantes de campanha
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Por Prime Rádio - A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de uma investigação para apurar o vazamento e a autenticidade de informações sob segredo de Justiça relacionadas às investigações que envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).



A solicitação foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida em uma notícia de fato encaminhada à PF. O documento pede que sejam identificadas as pessoas que tiveram acesso aos materiais sigilosos e que seja reconstruído o percurso dos documentos entre as instituições que os manusearam.

Entre os nomes mencionados pela defesa estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, e o senador Rogério Marinho (PL), coordenador-geral da campanha presidencial. Segundo a representação, os nomes aparecem em razão de funções políticas ou de acesso institucional a documentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

A defesa, entretanto, reconhece que a menção aos políticos não constitui prova de que qualquer um deles tenha sido responsável pelos vazamentos. O objetivo declarado é identificar, por meio de registros e perícias, quem efetivamente teve acesso às informações e de qual cópia ou versão dos documentos partiram os conteúdos divulgados.

Defesa quer rastrear acesso a documentos

Os advogados pedem que sejam levantados registros eletrônicos, nomes de servidores e assessores, logs de acesso aos autos do Supremo Tribunal Federal (STF), documentos relacionados à apreensão e extração de dados e códigos de integridade das cópias digitais.

No caso da CPMI do INSS, a representação solicita ainda registros da sala-cofre, imagens do circuito interno e informações sobre as estações utilizadas para consulta dos documentos. A defesa também quer a relação dos documentos sigilosos que foram entregues fisicamente a parlamentares e informações sobre o destino dado ao material após o encerramento da comissão.

Outra medida solicitada é uma perícia para comparar o conteúdo publicado pela imprensa com os documentos que integram os autos sob sigilo. A intenção é determinar de qual relatório, versão ou cópia os trechos divulgados teriam sido extraídos.

A defesa afirma que não pretende investigar jornalistas nem identificar fontes de informação. Segundo os advogados, a apuração deve se concentrar na eventual origem institucional dos vazamentos.

Vazamentos envolvem investigações sobre Lulinha

O pedido ocorre em meio à divulgação de trechos de mensagens e documentos relacionados às investigações envolvendo Lulinha. Parte do material teria sido extraída do telefone da lobista Roberta Luchsinger e envolveria diálogos com Lulinha e Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete pessoal do presidente Lula.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, os documentos faziam parte de relatórios elaborados pela PF e encaminhados ao STF. As investigações apuram suspeitas relacionadas à possível atuação de Lulinha em negociações com empresas e integrantes do governo federal. Ele nega irregularidades.

A CNN Brasil informou que Marco Aurélio de Carvalho também procurou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para tratar dos vazamentos. O advogado sustenta que a divulgação seletiva de informações pode prejudicar a investigação e ter consequências políticas em um ano eleitoral.

Pedido também envolve possível repercussão eleitoral

Além da investigação criminal sobre a origem dos vazamentos, a defesa solicita que uma cópia da representação seja encaminhada ao procurador-geral eleitoral. O objetivo seria avaliar se a divulgação de informações sigilosas pode caracterizar eventual abuso de poder político ou uso indevido dos meios de comunicação durante o período eleitoral.

O caso ocorre em um ambiente de forte disputa política entre grupos ligados ao governo Lula e à oposição. Flávio Bolsonaro, um dos principais adversários de Lula na eleição presidencial de 2026, também é citado pela defesa de Lulinha em razão da alegação de que informações sigilosas teriam chegado à sua campanha.

A representação, contudo, não estabelece que Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar ou Rogério Marinho tenham produzido ou divulgado os documentos. A própria defesa afirma que não dispõe de prova de autoria e pede que a PF utilize registros de acesso e perícias técnicas para determinar a origem do material.

Investigações continuam

As investigações que envolvem Lulinha permanecem em andamento. A defesa nega as suspeitas e questiona a autenticidade e a cadeia de custódia de parte das mensagens divulgadas publicamente.

O pedido apresentado à PF busca, portanto, separar duas questões: o conteúdo das investigações que atingem Lulinha e a eventual violação do sigilo dos autos. A confirmação de um vazamento, sua origem e eventual responsabilidade de pessoas específicas dependerão da apuração solicitada pela defesa e de eventuais conclusões das autoridades responsáveis.

Fontes: Folha de S.Paulo / CNN Brasil