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Renan Santos defende que Brasil desenvolva bombas atômicas para ampliar soberania

Candidato do Missão à Presidência afirma que país precisará discutir armas nucleares caso queira se tornar uma das cinco maiores nações do mundo

Renan Santos defende que Brasil desenvolva bombas atômicas para ampliar soberania
Renan Santos defende que Brasil desenvolva bombas atômicas para ampliar soberania (Foto: Reprodução)

Por Prime Rádio - O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva armas nucleares como instrumento de soberania e poder de dissuasão internacional. A declaração foi dada durante entrevista à TV Globo, em meio à série de sabatinas com os presidenciáveis.



Segundo Santos, o Brasil precisaria discutir a possibilidade de possuir bombas atômicas caso tenha como objetivo se consolidar entre as cinco maiores potências mundiais. O candidato associou a capacidade nuclear à soberania militar e à possibilidade de o país ocupar uma posição de maior influência no cenário internacional.

“Ter armas nucleares é uma forma de defender sua própria soberania”, afirmou o candidato durante a entrevista. Em sua avaliação, as nações mais poderosas possuem armamentos nucleares e são respeitadas internacionalmente em parte por essa capacidade.

Santos também apresentou a proposta como um projeto de médio e longo prazo. De acordo com relatos da entrevista, ele afirmou que a eventual obtenção de uma arma nuclear não ocorreria imediatamente e poderia levar mais de uma década, mas defendeu que a discussão começasse desde já. O candidato citou ainda as riquezas naturais, recursos alimentares, energia e terras raras existentes no Brasil como fatores que, em sua avaliação, poderiam despertar o interesse de outras potências.

A proposta, contudo, entra em conflito com o atual marco constitucional e com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

O artigo 21 da Constituição Federal estabelece que toda atividade nuclear em território nacional deve ser destinada exclusivamente a fins pacíficos e depender de aprovação do Congresso Nacional. O texto também estabelece o monopólio da União sobre atividades como pesquisa, lavra, enriquecimento e reprocessamento de minérios nucleares.

Além das restrições constitucionais, o Brasil é signatário do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro em 1998 pelo Decreto nº 2.864. O acordo estabelece compromissos relacionados à não proliferação e impede Estados que não possuem armas nucleares de fabricá-las ou adquiri-las.

O país também integra o Tratado de Tlatelolco, que estabelece a desnuclearização militar da América Latina e do Caribe. Segundo o Ministério da Defesa, a Constituição brasileira veda o uso da energia nuclear para fins não pacíficos e o país mantém uma política voltada à não proliferação.

Em 2026, o governo brasileiro voltou a participar de discussões internacionais sobre não proliferação. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) integrou a delegação brasileira na conferência da Organização das Nações Unidas sobre a implementação do TNP, realizada entre abril e maio deste ano.

Portanto, a eventual adoção da proposta defendida por Renan Santos exigiria mudanças significativas no marco jurídico brasileiro e uma revisão dos compromissos internacionais atualmente assumidos pelo país. O debate sobre a capacidade nuclear brasileira também envolve uma distinção entre o desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins civis — como geração de energia, medicina, indústria e pesquisa — e a produção de armamentos nucleares, que atualmente é proibida pela legislação brasileira.

Renan Santos foi oficializado como candidato à Presidência pelo Missão em julho. O partido, registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2025, tem origem no Movimento Brasil Livre (MBL).


Fontes: Agência Brasil; SBT News