Mulher é presa suspeita de se passar por médica e usar material de construção em harmonização de glúteos na Paraíba
Clínica funcionava na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa; segundo relatos atribuídos às pacientes, procedimentos teriam envolvido aplicação de substâncias inadequadas e algumas vítimas precisaram de atendimento médico após complicações
27/08/2026 18:18
Por Prime Rádio - Uma mulher foi presa em João Pessoa, na Paraíba, sob suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos estéticos em uma clínica localizada na Avenida Epitácio Pessoa. De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, a investigada teria oferecido procedimentos de harmonização dos glúteos e utilizado materiais que não seriam destinados a aplicações no corpo humano.

Segundo os relatos que deram origem à investigação, pacientes teriam sido submetidas a procedimentos nos quais eram aplicados ar, soro e materiais descritos como silicone utilizado na construção civil. Algumas mulheres teriam apresentado complicações após os procedimentos e precisado procurar atendimento médico, inclusive com relatos de necessidade de cirurgias de emergência.
A suspeita teria se apresentado às clientes como profissional habilitada para realizar os procedimentos. A investigação busca esclarecer, entre outros pontos, a formação e a habilitação profissional da mulher, quais substâncias foram efetivamente utilizadas e a extensão dos danos provocados às pacientes.



Perfis nas redes sociais da clínica e da suspeita — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
A utilização de silicone industrial em procedimentos estéticos é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a agência, esse tipo de material não deve ser utilizado no corpo humano. A aplicação pode provocar deformações, dores, dificuldades para caminhar, infecções, embolia pulmonar e, em casos graves, levar à morte.
A Anvisa também alerta que produtos destinados a procedimentos médicos e estéticos precisam estar regularizados e ser utilizados de acordo com suas indicações. Em informe de segurança atualizado, a agência afirma que até mesmo preenchedores dérmicos regularmente utilizados na área da saúde podem causar complicações quando aplicados em locais ou quantidades diferentes das previstas nas instruções de uso.

Suspeita teria utilizado silicone de construção em pacientes que teve complicações — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco
A agência mantém ainda orientações específicas para serviços de estética. Segundo a Anvisa, esses estabelecimentos estão entre os que concentram maior número de denúncias e reclamações sanitárias, e os procedimentos realizados nesses locais podem oferecer riscos quando produtos, técnicas ou condições de atendimento são inadequados.
No caso investigado em João Pessoa, os relatos das pacientes deverão ser confrontados com documentos, prontuários, materiais eventualmente apreendidos e demais elementos reunidos pelas autoridades. A confirmação das responsabilidades e de eventuais crimes dependerá do andamento da investigação e das decisões da Justiça.
A prisão, por si só, não representa condenação. A mulher permanece juridicamente considerada inocente até eventual decisão judicial definitiva.
Riscos de materiais inadequados
A Anvisa destaca que o chamado silicone industrial possui finalidade distinta da utilização médica. Entre suas aplicações estão produtos destinados à construção civil, impermeabilização e vedação. A agência ressalta que o desvio desse tipo de produto para procedimentos estéticos pode provocar graves consequências à saúde.
A orientação oficial para pessoas que tenham recebido silicone industrial no corpo é procurar avaliação médica, mesmo na ausência de sintomas. A recomendação considera a possibilidade de complicações que podem surgir imediatamente ou posteriormente.
Fontes consultadas: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
