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Dirigente do PT critica fala de Janja sobre Lula ser “o verdadeiro ungido de Deus”

Valter Pomar afirmou que a vitória eleitoral não será alcançada por meio de apelos religiosos; declaração de Janja ocorreu durante ato de campanha em Teresina, no Piauí

Dirigente do PT critica fala de Janja sobre Lula ser “o verdadeiro ungido de Deus”
Janja em comício no Piauí — Foto: Carol Caminha/Instagram/Reprodução

Por Prime Rádio - O dirigente petista Valter Pomar criticou a declaração da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria “o verdadeiro ungido de Deus” durante um ato político realizado em Teresina, no Piauí, na quarta-feira (9).




Pomar, integrante da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e ligado à tendência interna Articulação de Esquerda, reagiu à utilização de referências religiosas no discurso da primeira-dama. Segundo a declaração atribuída ao dirigente, “não é apelando a Deus que venceremos”, em referência à estratégia eleitoral do partido.


A fala de Janja ocorreu durante um comício em apoio à candidatura do governador Rafael Fonteles (PT) à reeleição e à campanha de Lula para um novo mandato presidencial. No discurso, a primeira-dama afirmou: “Esse é o verdadeiro ungido de Deus. Esse, sim, é o homem que quer que todos tenham uma vida digna”.


A declaração ocorreu poucos dias depois de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicar uma mensagem nas redes sociais em apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Na publicação, Michelle chamou o magistrado de “escolhido e ungido do Senhor”. Janja não mencionou diretamente Michelle ou Mendonça em sua fala, mas a declaração foi interpretada como uma resposta ao episódio.


Antes da referência religiosa, Janja fez críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusando o grupo de defender interesses próprios e de representar um projeto de retrocesso. Ela também defendeu a continuidade do governo Lula e citou ações nas áreas de saúde, educação, cultura, emprego e alimentação.


O ato foi realizado na zona leste de Teresina. Segundo Rafael Fonteles, cerca de 50 mil pessoas participaram do evento. Lula também discursou e afirmou que a eleição de 2026 envolverá, em sua avaliação, uma escolha entre democracia e retrocesso.


A crítica de Pomar ocorre em um contexto de divergências internas no PT sobre os rumos políticos e programáticos da legenda. O dirigente participa da Articulação de Esquerda, corrente minoritária do partido, e tem publicado críticas e propostas relacionadas à estratégia eleitoral petista. Em artigo publicado no início de setembro, Pomar afirmou que as eleições de 2026 seriam uma disputa difícil para o partido e defendeu maior mobilização da militância.


A manifestação também se soma a outras posições de Pomar sobre a necessidade de discutir a estratégia do PT. Em textos publicados ao longo de 2026, o dirigente criticou decisões da direção partidária e defendeu mudanças na orientação política da legenda.


A declaração de Janja e a reação de Pomar refletem, portanto, duas abordagens distintas dentro do campo petista: enquanto a primeira-dama recorreu a uma linguagem religiosa para defender Lula em um ato eleitoral, o dirigente criticou esse tipo de recurso como estratégia para a disputa política.


Fontes: UOL e Folha de S.Paulo, utilizadas para a apuração sobre o discurso de Janja e o contexto político da declaração; publicações de Valter Pomar e Página 13, utilizadas para contextualizar a atuação e as posições políticas do dirigente.