Dirigente do PT critica fala de Janja sobre Lula ser “o verdadeiro ungido de Deus”
Valter Pomar afirmou que a vitória eleitoral não será alcançada por meio de apelos religiosos; declaração de Janja ocorreu durante ato de campanha em Teresina, no Piauí
10/09/2026 20:20
Por Prime Rádio - O dirigente petista Valter Pomar criticou a declaração da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria “o verdadeiro ungido de Deus” durante um ato político realizado em Teresina, no Piauí, na quarta-feira (9).
Pomar, integrante da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e ligado à tendência interna Articulação de Esquerda, reagiu à utilização de referências religiosas no discurso da primeira-dama. Segundo a declaração atribuída ao dirigente, “não é apelando a Deus que venceremos”, em referência à estratégia eleitoral do partido.
A fala de Janja ocorreu durante um comício em apoio à candidatura do governador Rafael Fonteles (PT) à reeleição e à campanha de Lula para um novo mandato presidencial. No discurso, a primeira-dama afirmou: “Esse é o verdadeiro ungido de Deus. Esse, sim, é o homem que quer que todos tenham uma vida digna”.
A declaração ocorreu poucos dias depois de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicar uma mensagem nas redes sociais em apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Na publicação, Michelle chamou o magistrado de “escolhido e ungido do Senhor”. Janja não mencionou diretamente Michelle ou Mendonça em sua fala, mas a declaração foi interpretada como uma resposta ao episódio.
Antes da referência religiosa, Janja fez críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusando o grupo de defender interesses próprios e de representar um projeto de retrocesso. Ela também defendeu a continuidade do governo Lula e citou ações nas áreas de saúde, educação, cultura, emprego e alimentação.
O ato foi realizado na zona leste de Teresina. Segundo Rafael Fonteles, cerca de 50 mil pessoas participaram do evento. Lula também discursou e afirmou que a eleição de 2026 envolverá, em sua avaliação, uma escolha entre democracia e retrocesso.
A crítica de Pomar ocorre em um contexto de divergências internas no PT sobre os rumos políticos e programáticos da legenda. O dirigente participa da Articulação de Esquerda, corrente minoritária do partido, e tem publicado críticas e propostas relacionadas à estratégia eleitoral petista. Em artigo publicado no início de setembro, Pomar afirmou que as eleições de 2026 seriam uma disputa difícil para o partido e defendeu maior mobilização da militância.
A manifestação também se soma a outras posições de Pomar sobre a necessidade de discutir a estratégia do PT. Em textos publicados ao longo de 2026, o dirigente criticou decisões da direção partidária e defendeu mudanças na orientação política da legenda.
A declaração de Janja e a reação de Pomar refletem, portanto, duas abordagens distintas dentro do campo petista: enquanto a primeira-dama recorreu a uma linguagem religiosa para defender Lula em um ato eleitoral, o dirigente criticou esse tipo de recurso como estratégia para a disputa política.
Fontes: UOL e Folha de S.Paulo, utilizadas para a apuração sobre o discurso de Janja e o contexto político da declaração; publicações de Valter Pomar e Página 13, utilizadas para contextualizar a atuação e as posições políticas do dirigente.

