cover
Tocando Agora:

CLIQUE E ACESSE O PRIME DIÁRIO  

Aliados de Flávio veem nova decisão de Dino em SP como reforço de tese de interferência eleitoral

Movimentação do ministro do STF envolve investigação sobre contratos da Prefeitura de São Paulo e o Instituto Iter; grupo ligado ao candidato relaciona medidas ao avanço de Flávio nas pesquisas, enquanto decisões são apresentadas oficialmente no âmbito de investigações judiciais

Aliados de Flávio veem nova decisão de Dino em SP como reforço de tese de interferência eleitoral
Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Por Prime Rádio - Aliados do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) passaram a interpretar uma nova decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo fatos em São Paulo, como mais um elemento para sustentar a tese de possível interferência política nas eleições de 2026.



A movimentação ocorreu nesta terça-feira (15), em meio à sessão extraordinária do STF que analisa o relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja investigada uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, e contratos firmados pelo município de São Paulo. A Prefeitura e a SP Regula receberam prazo de dez dias para prestar esclarecimentos sobre os fatos apontados.

A decisão ocorre em um contexto no qual a política paulista ganhou importância para a campanha de Flávio Bolsonaro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), é aliado do senador e tem participado de articulações políticas relacionadas à candidatura.

Decisão ocorre após outras medidas em São Paulo

A nova iniciativa de Dino se soma a outras decisões recentes envolvendo investigações originadas em São Paulo.

No domingo (13), o ministro determinou o levantamento do sigilo de materiais reunidos pela Polícia Civil paulista em uma investigação relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dino também determinou que celulares, computadores e outros materiais apreendidos fossem transferidos para a custódia da Polícia Federal.

A investigação envolve suspeitas de utilização irregular de recursos públicos e possíveis repasses de emendas parlamentares para estruturas relacionadas à produção do filme. O caso também passou a envolver pessoas próximas ao núcleo político de Flávio Bolsonaro.

Na sexta-feira (11), segundo a cronologia publicada pela Folha de S.Paulo, Dino havia determinado a abertura de um inquérito específico da Polícia Federal para apurar um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo relacionado ao fornecimento de serviços de Wi-Fi na periferia da capital. A empresária Karina Gama, ligada ao ICB e à produtora do filme “Dark Horse”, aparece nas investigações.

As medidas não significam, por si só, uma conclusão de responsabilidade criminal ou eleitoral dos envolvidos. As apurações ainda dependem da análise das provas e das manifestações das partes.

Aliados associam decisões a desempenho nas pesquisas

A reação do grupo político de Flávio ocorreu depois da divulgação, na segunda-feira (14), de uma nova pesquisa Quaest. O levantamento mostrou o senador com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula (PT) em uma simulação de segundo turno.

Apesar da vantagem numérica de Flávio, o resultado está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais e, portanto, representa empate técnico entre os dois candidatos. No primeiro turno, Lula aparece com 36%, enquanto Flávio registra 31%.

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.

Integrantes e aliados da direita passaram a relacionar a sequência de decisões judiciais ao momento eleitoral. Mensagens obtidas pela Jovem Pan mostram integrantes desse grupo atribuindo as novas medidas ao desempenho de Flávio nas pesquisas e classificando as decisões como possível tentativa de interferência política.

Essa interpretação, entretanto, corresponde à avaliação de aliados do candidato e não constitui conclusão oficial do STF ou de autoridades responsáveis pelas investigações.

Crise no STF aumenta tensão política

As decisões ocorrem em meio à maior crise interna recente do Supremo. Nesta terça-feira, a Corte realiza uma sessão extraordinária para analisar se existem elementos que justifiquem a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes a partir de informações relacionadas a Daniel Vorcaro.

O caso provocou divergências públicas entre ministros. Flávio Dino questionou, durante a sessão, decisões do presidente Edson Fachin relacionadas à relatoria de processos, enquanto outros ministros protagonizaram debates sobre a condução das investigações e o acesso às informações obtidas pela Polícia Federal.

A crise passou a ter repercussão direta na disputa eleitoral, especialmente porque Flávio Bolsonaro tem utilizado as controvérsias envolvendo o STF como parte de seu discurso político.

Até o momento, não há comprovação de que as decisões de Flávio Dino tenham sido tomadas com o objetivo de interferir no resultado das eleições. Os atos citados estão vinculados formalmente a investigações judiciais em andamento. A associação entre as medidas e o desempenho eleitoral de Flávio é uma interpretação feita por seus aliados e apoiadores.


Fontes consultadas: Jovem Pan — relato sobre a reação de aliados de Flávio à decisão; Folha de S.Paulo — cronologia das decisões do STF e investigação do caso Master; UOL — pesquisa Quaest e cenário eleitoral entre Lula e Flávio