Eduardo Bolsonaro diz que vai expor julgamento do STF aos EUA para pedir nova rodada de sanções
Ex-deputado afirma que pretende apresentar aos norte-americanos informações sobre o processo envolvendo Alexandre de Moraes durante reuniões em Washington nesta semana
15/09/2026 17:16
Por Prime Rádio - O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que pretende levar aos Estados Unidos informações sobre o julgamento e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) para defender uma nova rodada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. A declaração ocorre às vésperas de uma viagem a Washington, onde Eduardo deve participar de reuniões relacionadas à possibilidade de retomada das punições previstas pela Lei Global Magnitsky.
Em declarações recentes, Eduardo afirmou que pretende apresentar aos interlocutores norte-americanos elementos relacionados ao processo conduzido pelo STF e sustenta que o caso de Moraes deve voltar a ser analisado pelas autoridades dos Estados Unidos. O ex-parlamentar já havia declarado anteriormente que ele e aliados trabalham pela retomada das sanções.
Segundo a agência Reuters, Eduardo Bolsonaro informou que pretende renovar, durante a passagem por Washington, os esforços para que os Estados Unidos restabeleçam as sanções contra Alexandre de Moraes previstas pela Global Magnitsky Act. Ele disse que a iniciativa vem sendo desenvolvida há mais de um ano e negou que esteja relacionada à atual disputa eleitoral brasileira.
A Lei Global Magnitsky permite que os Estados Unidos adotem medidas contra estrangeiros acusados, segundo os critérios estabelecidos pela legislação norte-americana, de envolvimento em corrupção ou violações de direitos humanos. Em julho de 2025, o governo de Donald Trump havia aplicado sanções contra Moraes. Posteriormente, as medidas foram retiradas, em dezembro daquele ano, após negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Novas sanções estão em avaliação
A possibilidade de uma nova aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes voltou ao centro das discussões em Washington nas últimas semanas.
Reportagem do UOL publicada em 14 de setembro informou que autoridades norte-americanas avaliam a possibilidade de retomar as sanções contra Moraes e, eventualmente, ampliar as medidas para outros integrantes do STF. Segundo a publicação, o processo que fundamentou as sanções anteriores continua sendo considerado válido pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
O UOL também informou que Eduardo Bolsonaro e o comentarista político Paulo Figueiredo devem estar em Washington nesta quarta-feira (16), para reuniões que, segundo fontes ouvidas pelo veículo, podem contribuir para acelerar a análise das possíveis sanções.
Apesar das discussões, não há confirmação de que uma nova sanção tenha sido oficialmente aplicada. A decisão depende das autoridades norte-americanas e dos procedimentos previstos na legislação dos Estados Unidos.
Relação com o caso Daniel Vorcaro
A retomada das discussões ocorre em meio às investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito de uma investigação sobre fraudes envolvendo o Banco Master.
De acordo com o UOL, o ministro André Mendonça tornou públicas mensagens que, segundo a Polícia Federal, teriam sido enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes. O material inclui pedidos relacionados a processos judiciais e policiais. A publicação também informou que o escritório do qual Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, é sócia manteve contrato de valores milionários com Vorcaro.
As informações estão inseridas em uma investigação mais ampla, e as alegações ainda são objeto de apuração. A existência de mensagens ou de relações contratuais, por si só, não comprova irregularidades ou responsabilidade criminal.
Moraes, por sua vez, é alvo de críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto o ministro permanece responsável por processos que envolvem integrantes do grupo político bolsonarista.
Eduardo Bolsonaro e a pressão sobre o STF
Eduardo Bolsonaro vive atualmente nos Estados Unidos e tem atuado politicamente em defesa de medidas de pressão contra autoridades brasileiras. Em junho de 2026, ele foi condenado pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, em razão de sua atuação junto ao governo norte-americano para pressionar autoridades brasileiras.
A defesa contestou a condenação, e o recurso apresentado pela Defensoria Pública da União está em julgamento no plenário virtual da Primeira Turma entre 11 e 18 de setembro, sob relatoria de Alexandre de Moraes.
Em entrevista publicada no início de setembro, Eduardo confirmou que ele e aliados já haviam solicitado ao governo norte-americano a retomada das sanções contra Moraes. Na ocasião, afirmou que a decisão caberia às autoridades dos Estados Unidos e não apresentou prazo para uma eventual medida.
A nova viagem a Washington ocorre, portanto, em um momento de elevada tensão entre setores ligados ao bolsonarismo e o STF, enquanto autoridades norte-americanas avaliam possíveis medidas contra ministros da Corte.
Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de que uma nova rodada de sanções contra Alexandre de Moraes tenha sido autorizada pelo governo dos Estados Unidos.
Fontes utilizadas: Reuters, UOL Notícias e Agência Estado/UOL.

