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Brasil se aproxima de 1 milhão de veículos eletrificados e amplia desafio para seguradoras e oficinas

Com 328 mil unidades emplacadas até agosto, eletrificados ganham espaço no mercado brasileiro e pressionam setores de reparação, peças e seguros a acompanhar uma frota com novas tecnologias

Brasil se aproxima de 1 milhão de veículos eletrificados e amplia desafio para seguradoras e oficinas
Brasil se aproxima de 1 milhão de veículos eletrificados Shixart1985/ Wikimedia Commons /CC BY 2.0

Por Prime Rádio - O Brasil se aproxima da marca de 1 milhão de veículos eletrificados leves em circulação, impulsionado pelo forte crescimento dos emplacamentos de modelos híbridos e elétricos em 2026. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), 328.477 veículos eletrificados leves foram emplacados entre janeiro e agosto deste ano, volume 160,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.



Somente em agosto, foram 57.386 novos emplacamentos. De acordo com a ABVE, o ritmo registrado no mês coloca o mercado próximo de alcançar a marca de 1 milhão de eletrificados leves em circulação no país. A entidade reúne em suas estatísticas veículos híbridos e elétricos e mantém séries históricas sobre a evolução da eletromobilidade no Brasil.

O crescimento modifica gradualmente o perfil da frota brasileira e cria novas demandas para empresas que atuam depois da venda dos veículos, incluindo seguradoras, oficinas, distribuidores de peças e concessionárias.

Nos veículos eletrificados, parte dos procedimentos de manutenção é diferente daqueles encontrados nos automóveis exclusivamente a combustão. Sistemas de alta tensão, baterias, motores elétricos, componentes eletrônicos e equipamentos específicos exigem conhecimentos e protocolos próprios para diagnóstico e reparação. Isso aumenta a necessidade de capacitação técnica e de infraestrutura adequada para profissionais que passam a atender essa frota.

A mudança também alcança o mercado de reposição. A presença de componentes específicos e a necessidade de equipamentos de diagnóstico compatíveis com diferentes sistemas podem alterar processos tradicionais de manutenção. A expansão da frota tende, portanto, a aumentar a importância da disponibilidade de peças, treinamento e acesso a informações técnicas.

No setor de seguros, a expansão dos eletrificados também representa uma adaptação do mercado. Características como tecnologia embarcada, sistemas de alta tensão, baterias e custos de determinados componentes entram no conjunto de fatores considerados na avaliação de riscos e na reparação de veículos. Publicação especializada do setor de seguros aponta que híbridos e elétricos já correspondiam a 17,1% das cotações monitoradas pelo Índice de Preços do Seguro Automóvel (IPSA), segundo dados citados da MDS Brasil.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) é o órgão responsável pela fiscalização e pelo controle do mercado de seguros no Brasil, incluindo o segmento de seguros de automóveis.

A transformação ocorre paralelamente à expansão da infraestrutura de recarga. Dados divulgados em agosto apontavam mais de 25,4 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos elétricos no país até maio de 2026, segundo levantamento citado pelo UOL. O número representa crescimento expressivo em relação aos anos anteriores, embora a distribuição da infraestrutura permaneça desigual entre as regiões brasileiras.

O avanço dos eletrificados, portanto, não se limita ao aumento das vendas de veículos novos. A mudança afeta uma cadeia que inclui fabricação e distribuição de componentes, manutenção, formação de mão de obra, assistência técnica, infraestrutura de recarga e seguros.

Com quase 330 mil unidades emplacadas somente nos oito primeiros meses de 2026, o ritmo de expansão indica que oficinas e empresas de serviços automotivos terão de lidar progressivamente com tecnologias diferentes das encontradas na frota tradicional. Para seguradoras, a ampliação da base de veículos também aumenta a relevância de modelos de avaliação de risco e de processos de reparação compatíveis com as características dos eletrificados.

O tamanho desse impacto, contudo, dependerá da evolução das vendas, da composição da frota — entre híbridos e modelos totalmente elétricos —, da disponibilidade de peças e da capacidade de oficinas e prestadores de serviço de acompanhar a mudança tecnológica.


Fontes: Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE); Superintendência de Seguros Privados (Susep); Revista Apólice; UOL Carros.