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Lula aumenta Bolsa Família por medo de perder o cargo de presidente

Benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro; oposição questiona o momento do anúncio, enquanto governo afirma que medida recompõe perdas inflacionárias

Lula aumenta Bolsa Família por medo de perder o cargo de presidente
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). — Foto: Sergio Lima / AFP

Por Prime Rádio - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na quinta-feira (17), um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. A atualização ocorre 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 e fará com que o benefício mínimo passe de R$ 600 para R$ 691 por família. O valor médio estimado também será elevado, de R$ 675 para R$ 777.



De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os novos valores começam a ser considerados na folha de outubro, com os pagamentos reajustados previstos a partir de 19 de outubro. A atualização foi estabelecida pelo Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

Segundo o governo, o reajuste corresponde à recomposição da inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Esta é a primeira atualização dos valores do programa desde a retomada do atual modelo do Bolsa Família, em 2023.

O impacto financeiro estimado é de R$ 5,8 bilhões adicionais em 2026. Para os anos seguintes, a despesa adicional projetada pelo governo chega a R$ 22,7 bilhões por ano. A medida alcança aproximadamente 19,3 milhões de famílias beneficiárias.

Momento do anúncio gera questionamentos

A proximidade entre o reajuste e as eleições provocou críticas de adversários do presidente e questionamentos sobre eventual finalidade eleitoral da medida. O anúncio ocorreu a 17 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, enquanto os pagamentos com os novos valores terão início durante o período entre o primeiro e o eventual segundo turno.

O governo, porém, nega que o reajuste tenha sido adotado com finalidade eleitoral. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a medida vinha sendo discutida anteriormente e que sua implementação ocorreu após a identificação de espaço fiscal para absorver a despesa.

O governo também sustenta que não se trata da criação de um novo benefício, mas da atualização dos valores de um programa já existente para recompor perdas inflacionárias.

Questionamento chegou à Justiça Eleitoral

O reajuste também passou a ser questionado judicialmente. O candidato à Presidência Renan Santos apresentou representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que a medida teria finalidade eleitoral e solicitando a suspensão de seus efeitos.

Em outro processo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal e do TSE, extinguiu uma representação apresentada pelo deputado federal Zé Trovão. Segundo o Poder360, a decisão não analisou o mérito do reajuste: Mendonça considerou que o parlamentar não possuía legitimidade para apresentar aquela ação, devido à diferença entre as circunscrições eleitorais das candidaturas.

Especialistas ouvidos pelo UOL diferenciaram a legalidade do reajuste da possibilidade de eventual abuso de poder político. Segundo a análise publicada pelo veículo, a legislação eleitoral estabelece restrições à distribuição gratuita de benefícios durante o ano eleitoral, mas há exceções para programas sociais já autorizados e em execução. O entendimento apresentado é que uma atualização destinada exclusivamente à recomposição inflacionária, sem ampliação do número de beneficiários, não é automaticamente ilegal.

Reajuste não estava previsto inicialmente no Orçamento

Outro ponto que passou a ser discutido foi a ausência do reajuste na proposta orçamentária apresentada anteriormente pelo governo para 2027.

Segundo a Folha de S.Paulo, a proposta encaminhada ao Congresso não contemplava originalmente o aumento anunciado em setembro. O governo afirma que a alteração tornou-se possível após a identificação de espaço fiscal.

O debate ocorre em um contexto de disputa eleitoral acirrada e de questionamentos sobre as contas públicas. A implementação do reajuste, contudo, não estabelece por si só que a medida tenha sido adotada para influenciar o voto dos beneficiários. A finalidade eleitoral é objeto de acusações políticas e de questionamentos jurídicos, enquanto o governo apresenta a recomposição inflacionária como justificativa oficial.


Fontes utilizadas

Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS): informações oficiais sobre o reajuste, valores e calendário de pagamento.

Folha de S.Paulo: detalhes sobre o percentual do reajuste, impacto financeiro e cronograma eleitoral.

Reuters: informações sobre o anúncio, impacto fiscal e contexto eleitoral.

Poder360: informações sobre os questionamentos apresentados ao TSE e a decisão do ministro André Mendonça.