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AGU pede ao STF que reconheça legalidade do reajuste do Bolsa Família a 17 dias da eleição

Governo Lula sustenta que correção de 15,04% apenas recompõe a inflação acumulada desde 2023, sem aumento real ou ampliação do número de beneficiários

AGU pede ao STF que reconheça legalidade do reajuste do Bolsa Família a 17 dias da eleição
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante anúncio de reajuste do Bolsa Família no Palácio do Planalto, acompanhado dos ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda) — Foto: Foto: Ricardo Stuckert

Por Prime Rádio - A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta sexta-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheça a constitucionalidade do reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. A atualização foi anunciada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quinta-feira (17), a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.



Segundo a AGU, a medida não representa a criação de um novo benefício nem a ampliação do público atendido pelo programa. O órgão sustenta que o reajuste corresponde à recomposição da inflação acumulada desde março de 2023 e, portanto, não representa ganho real para os beneficiários.

O reajuste foi oficializado pelo Decreto nº 13.120 e terá efeitos financeiros a partir da folha de outubro. Com a atualização, o valor mínimo garantido por família passa de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado pelo governo sobe de R$ 675 para R$ 777. Os pagamentos com os novos valores começam em 19 de outubro.

Governo cita recomposição da inflação

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o percentual de 15,04% corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Além do piso, outros componentes do programa também foram atualizados. O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante. O Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança, enquanto o Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58 por integrante que se enquadre nos critérios do programa.

A legislação do Bolsa Família prevê a possibilidade de atualização dos valores dos benefícios. Com base nessa previsão, a AGU afirma que o Executivo exerceu uma competência estabelecida em lei ao corrigir os pagamentos pela inflação.

A Advocacia-Geral da União também argumenta que o programa é uma política pública permanente e que o reajuste não modificou os critérios de entrada ou o número de famílias atendidas. Na avaliação jurídica apresentada pelo governo, essas características afastariam a aplicação das restrições eleitorais relacionadas à distribuição de benefícios.

Pedido chega ao STF após questionamentos sobre a medida

A manifestação da AGU ao STF ocorre após uma ação relacionada à implementação da renda básica de cidadania. Na quarta-feira (16), a Defensoria Pública da União havia provocado o ministro Gilmar Mendes para tratar da atualização dos valores do programa.

Na quinta-feira (17), Gilmar Mendes determinou que o governo informasse, em 15 dias, quais providências haviam sido tomadas para atualizar os benefícios. A AGU respondeu nesta sexta-feira afirmando que a determinação já havia sido atendida com o reajuste anunciado no dia anterior e pediu que o Supremo reconheça formalmente o cumprimento da medida.

Reajuste também é alvo de questionamentos eleitorais

A proximidade entre o reajuste e o primeiro turno das eleições provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. Uma representação apresentada pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC) contra a medida foi rejeitada pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quinta-feira.

Mendonça não analisou o mérito da contestação. A ação foi encerrada por uma questão processual: segundo a decisão, o parlamentar não teria legitimidade para questionar, naquela instância, um ato relacionado à eleição presidencial, pois sua candidatura está vinculada a uma circunscrição eleitoral diferente.

Também houve contestação apresentada pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão), que pediu ao TSE a suspensão dos efeitos do reajuste. Na representação, a defesa do candidato questiona a finalidade da medida e argumenta que o momento escolhido pelo governo poderia afetar a disputa eleitoral. Essas são alegações apresentadas no processo e não constituem, por si só, uma conclusão judicial sobre a legalidade do reajuste.

Impacto nas contas públicas

Segundo informações divulgadas pelo governo, o reajuste deverá gerar impacto adicional de aproximadamente R$ 5,8 bilhões nas contas públicas entre outubro e dezembro de 2026. Para 2027, a estimativa apresentada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento é de cerca de R$ 22,7 bilhões em despesas adicionais.

O governo afirma que o espaço fiscal necessário para absorver o aumento será acomodado no orçamento e que os números atualizados serão detalhados nos documentos de acompanhamento fiscal.

A discussão sobre a legalidade do reajuste, portanto, envolve dois aspectos distintos: a justificativa apresentada pelo governo, de que se trata de uma recomposição inflacionária prevista na legislação, e os questionamentos de adversários políticos sobre a realização da medida durante o período eleitoral. Até o momento, a decisão do TSE mencionada acima não examinou o mérito da contestação, enquanto a AGU busca no STF o reconhecimento da constitucionalidade do ato.


Fontes consultadas para a elaboração da matéria: CNN Brasil — AGU pede ao STF que reconheça que reajuste do Bolsa Família é constitucional; Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social — Bolsa Família terá valor mínimo de R$ 691 a partir de outubro; Agência Brasil — Bolsa Família é reajustado em 15%; medida vale a partir de outubro; CNN Brasil — Mendonça rejeita ação que questionava reajuste de 15% do Bolsa Família.