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Flávio Bolsonaro acusa Lula de tentar ‘comprar voto dos pobres’ com reajuste do Bolsa Família

Candidato do PL criticou o momento do aumento, anunciado a 17 dias do primeiro turno, mas afirmou que pretende manter o novo valor caso seja eleito

Flávio Bolsonaro acusa Lula de tentar ‘comprar voto dos pobres’ com reajuste do Bolsa Família
Flavio Bolsonaro em evento em Belém, no Pará — Foto: Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

Por Prime Rádio - O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, criticou neste sábado (19) o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante ato de campanha em Joinville, Santa Catarina, Flávio afirmou que a medida seria uma tentativa de “comprar o voto dos mais pobres” e classificou o anúncio como um ato de “desespero”.



O reajuste foi anunciado pelo governo federal em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A atualização é de 15,04% e eleva o valor mínimo garantido pelo Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado também será alterado, passando de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão considerados na folha de outubro, com pagamentos a partir de 19 de outubro.

Durante o discurso em Joinville, Flávio relacionou o momento do reajuste ao calendário eleitoral e afirmou que Lula poderia ter promovido a atualização em anos anteriores. O candidato também disse que os beneficiários do programa “querem trabalhar e não querem migalha”, em referência à política de transferência de renda.

A acusação de que o reajuste teria finalidade eleitoral é uma avaliação apresentada por Flávio Bolsonaro. O governo federal, por sua vez, afirma que a medida tem como objetivo recompor o poder de compra das famílias beneficiárias diante da inflação acumulada.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o percentual de 15,04% corresponde à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. O governo também afirma que a atualização está prevista na legislação que instituiu o atual modelo do Bolsa Família.

O decreto que estabeleceu os novos valores foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 17 de setembro. Além do piso de R$ 691, os valores de benefícios específicos também foram atualizados: o Benefício de Renda de Cidadania passou de R$ 142 para R$ 164 por integrante; o Benefício Primeira Infância, de R$ 150 para R$ 173 por criança; e o Benefício Variável Familiar, de R$ 50 para R$ 58 por integrante elegível.

A proximidade entre o anúncio e a eleição também motivou uma contestação na Justiça Eleitoral. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão do reajuste, sob o argumento de que a medida poderia configurar conduta vedada em ano eleitoral.

O ministro André Mendonça, do TSE, extinguiu a ação em 17 de setembro por entender que Zé Trovão não tinha legitimidade para apresentar a representação contra uma medida relacionada à eleição presidencial, já que o deputado disputa outro cargo e em circunscrição eleitoral diferente. O ministro não analisou o mérito da alegação sobre a legalidade do reajuste.

Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre a iniciativa judicial de seu aliado. Segundo o Poder360, o candidato afirmou que não havia autorizado a ação contra o reajuste e declarou que não concordava com a iniciativa.

Apesar das críticas ao momento e à forma como o aumento foi anunciado, Flávio afirmou que pretende manter o reajuste caso seja eleito. Em declarações anteriores, o candidato também disse que pretende ampliar políticas de apoio social e mencionou o modelo adotado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

O reajuste, portanto, permanece vigente. Até o momento, a decisão do TSE mencionada não estabeleceu que o aumento seja ilegal nem determinou sua suspensão; o processo apresentado por Zé Trovão foi encerrado por uma questão de legitimidade processual, sem análise do mérito.


Fontes: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Folha de S.Paulo; UOL.