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Microsoft diz que avanço da China não deve ser usado para evitar regulação da inteligência artificial

Mustafa Suleyman defende normas e padrões compartilhados para ampliar a segurança da IA e afirma que a competição tecnológica entre Estados Unidos e China não deve impedir medidas de proteção

Microsoft diz que avanço da China não deve ser usado para evitar regulação da inteligência artificial
Mustafá Suleyman, chefe do setor de IA da Microsoft — Foto: David Ryder/Bloomberg

Por Prime Rádio - O chefe da divisão de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou que o avanço da China no setor não deve ser utilizado como justificativa para evitar a criação de regras de segurança para a inteligência artificial. A declaração foi dada em entrevista ao programa Fareed Zakaria GPS, da CNN, em meio ao debate sobre os limites para o desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais avançados.



Suleyman disse que os Estados Unidos não deveriam usar a China como argumento para deixar de avançar em suas próprias iniciativas de segurança. Segundo ele, os esforços para estabelecer padrões e mecanismos de proteção podem beneficiar diferentes países, inclusive em um cenário de competição tecnológica.

“Não deveríamos usar a China como o bicho-papão para não avançarmos em nossos próprios esforços”, afirmou Suleyman na entrevista à CNN.

O executivo também defendeu a cooperação internacional em questões relacionadas à segurança da inteligência artificial. Segundo a transcrição da CNN, Suleyman afirmou que os países têm interesses comuns na prevenção de incidentes envolvendo sistemas capazes de executar tarefas de forma cada vez mais autônoma.

Para o executivo, a existência de uma disputa tecnológica entre Washington e Pequim não elimina a necessidade de estabelecer padrões de segurança. Ele também afirmou que os Estados Unidos deveriam estar interessados em conhecer práticas adotadas por outros países, incluindo a China, embora reconheça a existência de uma competição entre as duas potências.

Microsoft amplia debate sobre controle humano da IA

As declarações de Suleyman ocorrem poucos dias depois de a Microsoft divulgar um projeto de código de conduta para seus sistemas de inteligência artificial. O documento estabelece princípios voltados à manutenção do controle humano sobre os modelos desenvolvidos pela empresa.

Entre as diretrizes apresentadas estão a capacidade de os sistemas aceitarem correções, não resistirem ao desligamento e comunicarem seu comportamento de maneira compreensível. O documento também estabelece que eventuais comportamentos inadequados dos modelos devem ser tratados como falhas do sistema.

Suleyman descreveu o código como uma espécie de estrutura de referência para o desenvolvimento dos futuros modelos da Microsoft AI. A empresa abriu o documento para receber comentários públicos antes de sua eventual adoção definitiva.

Debate sobre regulação ganha força

A discussão ocorre em um momento de divergências dentro da indústria de tecnologia sobre a necessidade e o alcance de novas medidas de segurança para sistemas avançados de inteligência artificial.

Executivos de empresas como Microsoft, OpenAI, Anthropic e Google DeepMind têm defendido diferentes formas de ampliar os mecanismos de segurança e supervisão. Ao mesmo tempo, outros representantes do setor questionam propostas de desaceleração coordenada ou de regulamentações abrangentes, argumentando que medidas desse tipo podem afetar o ritmo de inovação.

Suleyman tem defendido a adoção de padrões comuns e mecanismos de avaliação capazes de acompanhar a evolução dos modelos. A posição apresentada pelo executivo coloca a segurança da IA como uma questão que, segundo ele, não deveria ser tratada exclusivamente a partir da rivalidade tecnológica entre países.

O debate envolve tanto governos quanto empresas e pesquisadores, especialmente diante do avanço de sistemas capazes de realizar tarefas complexas com menor intervenção humana. A definição de quais atividades devem ser regulamentadas, quais padrões de segurança devem ser exigidos e como fiscalizar seu cumprimento ainda é objeto de discussões em diferentes países.


Fontes: CNN, por meio da transcrição da entrevista de Mustafa Suleyman no Fareed Zakaria GPS; Bloomberg, reproduzida pelo Yahoo Finance; Microsoft AI.