Microsoft diz que avanço da China não deve ser usado para evitar regulação da inteligência artificial
Mustafa Suleyman defende normas e padrões compartilhados para ampliar a segurança da IA e afirma que a competição tecnológica entre Estados Unidos e China não deve impedir medidas de proteção
20/09/2026 15:33
Por Prime Rádio - O chefe da divisão de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou que o avanço da China no setor não deve ser utilizado como justificativa para evitar a criação de regras de segurança para a inteligência artificial. A declaração foi dada em entrevista ao programa Fareed Zakaria GPS, da CNN, em meio ao debate sobre os limites para o desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais avançados.

Suleyman disse que os Estados Unidos não deveriam usar a China como argumento para deixar de avançar em suas próprias iniciativas de segurança. Segundo ele, os esforços para estabelecer padrões e mecanismos de proteção podem beneficiar diferentes países, inclusive em um cenário de competição tecnológica.
“Não deveríamos usar a China como o bicho-papão para não avançarmos em nossos próprios esforços”, afirmou Suleyman na entrevista à CNN.
O executivo também defendeu a cooperação internacional em questões relacionadas à segurança da inteligência artificial. Segundo a transcrição da CNN, Suleyman afirmou que os países têm interesses comuns na prevenção de incidentes envolvendo sistemas capazes de executar tarefas de forma cada vez mais autônoma.
Para o executivo, a existência de uma disputa tecnológica entre Washington e Pequim não elimina a necessidade de estabelecer padrões de segurança. Ele também afirmou que os Estados Unidos deveriam estar interessados em conhecer práticas adotadas por outros países, incluindo a China, embora reconheça a existência de uma competição entre as duas potências.
Microsoft amplia debate sobre controle humano da IA
As declarações de Suleyman ocorrem poucos dias depois de a Microsoft divulgar um projeto de código de conduta para seus sistemas de inteligência artificial. O documento estabelece princípios voltados à manutenção do controle humano sobre os modelos desenvolvidos pela empresa.
Entre as diretrizes apresentadas estão a capacidade de os sistemas aceitarem correções, não resistirem ao desligamento e comunicarem seu comportamento de maneira compreensível. O documento também estabelece que eventuais comportamentos inadequados dos modelos devem ser tratados como falhas do sistema.
Suleyman descreveu o código como uma espécie de estrutura de referência para o desenvolvimento dos futuros modelos da Microsoft AI. A empresa abriu o documento para receber comentários públicos antes de sua eventual adoção definitiva.
Debate sobre regulação ganha força
A discussão ocorre em um momento de divergências dentro da indústria de tecnologia sobre a necessidade e o alcance de novas medidas de segurança para sistemas avançados de inteligência artificial.
Executivos de empresas como Microsoft, OpenAI, Anthropic e Google DeepMind têm defendido diferentes formas de ampliar os mecanismos de segurança e supervisão. Ao mesmo tempo, outros representantes do setor questionam propostas de desaceleração coordenada ou de regulamentações abrangentes, argumentando que medidas desse tipo podem afetar o ritmo de inovação.
Suleyman tem defendido a adoção de padrões comuns e mecanismos de avaliação capazes de acompanhar a evolução dos modelos. A posição apresentada pelo executivo coloca a segurança da IA como uma questão que, segundo ele, não deveria ser tratada exclusivamente a partir da rivalidade tecnológica entre países.
O debate envolve tanto governos quanto empresas e pesquisadores, especialmente diante do avanço de sistemas capazes de realizar tarefas complexas com menor intervenção humana. A definição de quais atividades devem ser regulamentadas, quais padrões de segurança devem ser exigidos e como fiscalizar seu cumprimento ainda é objeto de discussões em diferentes países.

Fontes: CNN, por meio da transcrição da entrevista de Mustafa Suleyman no Fareed Zakaria GPS; Bloomberg, reproduzida pelo Yahoo Finance; Microsoft AI.
