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Irã e EUA trocam ameaças após ataques dos houthis agravarem conflito regional

Escalada envolvendo grupo apoiado por Teerã amplia pressão sobre a Arábia Saudita e aumenta os riscos para a segurança regional e o mercado de energia

Irã e EUA trocam ameaças após ataques dos houthis agravarem conflito regional
Irã e EUA trocam ameaças após ataques dos houthis agravarem conflito regional (Foto: Reprodução)

Por Prime Rádio - Irã e Estados Unidos trocaram novas ameaças neste domingo (20), em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio e à expansão dos combates envolvendo os houthis, grupo armado do Iêmen apoiado por Teerã. A escalada ocorre enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem sem avanços significativos.



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã teria de chegar a um acordo ou enfrentaria consequências econômicas e militares. Segundo a Reuters, Trump também indicou que estaria aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, prevista para ocorrer em Nova York nesta semana.

Em resposta, o comando militar iraniano afirmou que qualquer novo ataque contra o país provocaria uma retaliação prolongada contra forças e interesses norte-americanos. As Forças Armadas do Irã também disseram ter informações sobre a possibilidade de uma nova ofensiva, mas não apresentaram publicamente detalhes que comprovassem essa alegação.

A crise ganhou uma nova dimensão com a atuação dos houthis no Iêmen. No sábado (19), o grupo lançou mísseis e drones contra alvos na Arábia Saudita, incluindo a região da capital, Riad. A coalizão liderada pelos sauditas afirmou ter interceptado um míssil balístico direcionado à cidade. Não foram registrados mortos ou danos materiais decorrentes desse ataque, segundo as autoridades sauditas.

Os houthis também afirmaram ter atacado instalações consideradas estratégicas em território saudita, incluindo estruturas ligadas à empresa petrolífera Saudi Aramco, em Yanbu. Essas alegações não foram integralmente verificadas de forma independente. A escalada ocorre depois de uma série de avanços militares dos houthis no oeste do Iêmen e de confrontos cada vez mais intensos com forças apoiadas pela Arábia Saudita.

A ofensiva aumentou a pressão sobre Riad, que enfrenta o risco de novos ataques contra cidades e instalações de infraestrutura. Segundo a Associated Press, autoridades sauditas também buscaram apoio de países como França, Reino Unido, Paquistão e Egito para reforçar suas capacidades de defesa aérea diante dos ataques de mísseis e drones.

A expansão dos combates também preocupa o setor energético. O avanço dos houthis em áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, uma importante passagem marítima entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, elevou os riscos para rotas utilizadas pelo transporte internacional de petróleo e outras mercadorias. Paralelamente, as restrições impostas pelo Irã no estreito de Ormuz acrescentam pressão sobre o fluxo de energia proveniente do Golfo Pérsico.

A situação também provocou esforços diplomáticos para conter a escalada. A Reuters informou que a China pediu ao Irã que ajudasse a limitar os ataques dos houthis contra instalações petrolíferas sauditas, após uma solicitação de assistência feita por Riad. Pequim estaria preocupada com os efeitos da instabilidade sobre as rotas de energia que abastecem a economia chinesa.

Apesar das ameaças públicas e da intensificação dos combates, ainda não há indicação de um acordo abrangente entre Washington e Teerã. O cenário permanece marcado por ações militares, pressão econômica e tentativas diplomáticas paralelas, enquanto a expansão da frente envolvendo os houthis aumenta o risco de que outros países da região sejam diretamente envolvidos no conflito.


Fontes: Reuters; Associated Press (AP).